Título: Conselho do MP abre investigação
Autor: Mascarenha, Gabriel
Fonte: Correio Braziliense, 18/04/2012, Política, p. 2
Conselho do MP abre investigação
CNMP também vai apurar denúncias de ingerência do bicheiro Carlinhos Cachoeira em procedimentos do Ministério Público de Goiás
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) irá investigar se houve violação de dever funcional de integrantes do MP goiano, a partir da ingerência do bicheiro Carlinhos Cachoeira. A decisão, divulgada ontem, tem como base interceptações telefônicas reveladas pelo Correio, em que o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) assegura ao contraventor a interferência em procedimentos internos do órgão, por meio do irmão, o procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres, e do presidente da Associação Goiana do Ministério Público, Alencar José Vital. Na última segunda, o MP de Goiás também começou a investigar o caso.
Na sessão plenária de ontem, a primeira após as revelações sobre o caso, o corregedor nacional do CNMP, Jeferson Coelho, anunciou aos colegas a abertura de reclamação disciplinar para apurar suspeitas de irregularidades no Ministério Público de Goiás. Benedito Torres será citado nos próximos dias e terá então o prazo de duas semanas para apresentar defesa. Por enquanto, o procurador-geral de Justiça de Goiás permanece no cargo, mas pode ser afastado liminarmente pelo plenário do conselho, caso seja verificada tentativa de obstrução das apurações.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que também é o presidente do CNMP, afirmou que é "absolutamente imprevisível" o tempo que a investigação pode durar. Disse, no entanto, que a expectativa é de que não haja demora. "Existe a tradição de celeridade na apreciação desse tipo de feito. O importante é que o conselho nacional imediatamente instaurou esse procedimento e que o levará adiante para que os fatos sejam devidamente esclarecidos", ressaltou.
A estratégia para coleta de provas contra os investigados será definida posteriormente pelo corregedor nacional. A avaliação de conselheiros é de que deverá ser solicitado o inquérito da operação Monte Carlo ao relator do caso no Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski. Isso porque, segundo os integrantes do colegiado, não se sustentará uma investigação baseada "apenas" nas notícias publicadas.
Reportagens Gurgel informou ainda que recebeu de Benedito Torres documentos relativos aos fatos, com pedido de que o Conselho Nacional do MP tomasse as providências "entendidas pertinentes". Esses documentos, que incluem um recorte das reportagens publicadas pelo Correio e uma defesa prévia de Benedito, foram enviados ao corregedor nacional do CNMP.
No último sábado, o Correio publicou interceptações telefônicas da Operação Monte Carlo em que Cachoeira e Demóstenes articulam a interferência em questões do MP goiano. Em uma das conversas, de maio de 2011, o contraventor pede ao parlamentar que converse com Benedito Torres para que interceda contra a transportadora Gabardo. Demóstenes assegura que irá almoçar com o irmão para tratar o assunto. Cachoeira diz: "Manda ele (Benedito) lá designar um promotor para entrar com uma ação contra isso aí". Na mesma noite, Demóstenes alega ter acertado com o irmão o cumprimento da ordem.
Colaborou Diego Abreu