Valor econômico, v. 18, n. 4477, 06/04/2018. Especial, p. A12.

 

Moreira Franco pode assumir o MME

Daniel Rittner e Andrea Jubé

06/04/2018

 

 

O ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral), um dos auxiliares mais próximos do presidente Michel Temer, pode ser deslocado para a pasta de Minas e Energia. A decisão só deve ser tomada no início da semana que vem. Essa realocação de Moreira faz parte do desenho preferencial de Temer para a Esplanada dos Ministérios nos nove meses finais de mandato, mas o martelo ainda não está completamente batido.

A bancada mineira do MDB tenta emplacar no cargo o deputado federal Saraiva Felipe (MG), que dispensaria a busca por um novo mandato. O atual ministro, Fernando Coelho Filho, deve ter sua exoneração publicada hoje e retornar à Câmara na próxima semana. A pasta pode ganhar ainda mais visibilidade no segundo semestre com duas prioridades anunciadas pelo governo: a privatização da Eletrobras e o megaleilão de excedentes da cessão onerosa nos campos do pré-sal.

Qualquer que seja o nome escolhido, entretanto, há risco de debandada da equipe técnica no Ministério de Minas e Energia. O secretário-executivo, Paulo Pedrosa, deve puxar a lista. Ele era a preferência do mercado para a sucessão e foi um dos principais mentores das mudanças efetivadas nos últimos anos - um cardápio que inclui a proposta de reforma do setor elétrico, retomada dos leilões de petróleo e gás, novo marco regulatório da mineração.

O nome favorito de Fernando Coelho para o seu lugar é o do secretário-executivo Paulo Pedrosa. Em contrapartida, o secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Márcio Félix Bezerra, corre por fora.

A decisão não foi tomada e não há nomes circulando pra o assento de Moreira no Planalto, mas Temer tenta equacionar a queda de braço interna na pasta. O presidente gostaria de concluir a reforma ministerial até hoje, mas há outras pendências relevantes, além de Minas e Energia.

Outra indefinição é a sucessão de Helder Barbalho no Ministério da Integração Nacional, pelo qual dois caciques do MDB disputam o controle: o presidente do Congresso, Eunício Oliveira (MDB-CE), e o senador Jader Barbalho (MDB-PA), pai do atual ministro.

A própria sucessão no Ministério da Fazenda se tornou um impasse, e somente hoje o ministro Henrique Meirelles tomará sua decisão final. As posses dos novos ministros do Planejamento, Esteves Colnago, e do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame, que ocorreriam ontem, foram adiadas para a semana que vem.