Valor econômico, v. 18, n. 4496, 04/05/2018. Política, p. A8.

 

Maia sugere que PSDB é partido mais rejeitado e critica intervenção

Cristian Klein

04/05/2018

 

 

"Não é só intenção de voto, é rejeição. Qual é o partido mais rejeitado no Brasil?", perguntou Rodrigo Maia à plateia de quase 300 empresários e representantes do setor de turismo que lotavam o auditório de um hotel no Rio. Quando alguém citou o PT, o presidente da Câmara disse que não era a resposta correta. Nem o MDB. E parou por aí. Entre os grandes partidos, sobrava o PSDB. Indagado pelo Valor, na saída, se teria se referido aos tucanos, esquivou-se: "É só ver as pesquisas". Ele já viu. No ano passado, um levantamento encomendado pelo DEM, seu partido, apontou o PSDB como a legenda mais rejeitada pelos entrevistados: 75%.

O alvo do raciocínio era claro: desmontar a suposta primazia da pré-candidatura do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), como aquele que pode unificar a centro-direita. "Então... Tem que esperar um pouquinho. A ansiedade não vai nos dar o melhor caminho neste processo eleitoral. Tem que ter paciência", afirmou, sugerindo que a rejeição ao PSDB arma um teto para o voo do tucano.

Num patamar mais alto, Alckmin oscila entre 7% e 8%, mas ainda não decolou, o que fomenta candidaturas de outros partidos como o DEM, aliado tradicional do PSDB. Com apenas 1% das preferências, mas numa sigla que saiu revigorada da janela de transferência com o dobro do tamanho da bancada eleita em 2014, Rodrigo Maia estica a corda e prevê que as eleições neste ano serão atípicas, e o cenário só se definirá nos últimos 15 dias de campanha.

Pelo discurso e pela agenda de eventos, parece disposto a insistir no projeto presidencial. Disse que a unidade está difícil porque não é claro o nome natural para encabeçar uma chapa de consenso, o que também aconteceria com a esquerda. "O problema é: quem lidera? Aqui não unifica porque não tem ninguém em condição de dizer que está melhor que o outro. Sentamos na mesa amanhã, mas quem é que tira, quem é que fica?", afirmou.

Para Maia, a escolha desse candidato não poderia ser feita pelo tradicional critério de intenções de votos. Em sua opinião, o mais importante é a avaliação de quem pode ter os melhores palanques estaduais, com bons candidatos a governador, que tenha uma aliança com mais tempo de propaganda de TV, e baixa rejeição.

É um combo que o põe em menos desvantagem em relação a Alckmin, a quem, aliás, seu pai, o vereador e ex-prefeito Cesar Maia, qualificou como o melhor nome da corrida presidencial, em entrevista ao Valor que o surpreendeu e o desagradou.

Em ritmo de campanha, sem terno e gravata, Rodrigo Maia sairia correndo do hotel para pegar voo para São Paulo, onde teria mais dois compromissos, numa quinta-feira em que normalmente estaria em Brasília.

Com distância calculada em relação ao impopular governo Temer, fez várias críticas aos resultados da intervenção federal no Rio. Reclamou da falta de planejamento, da demora na liberação de recursos e do aumento nos índices de criminalidade. "Os crimes estão crescendo, homicídio, roubo de carga. Tem empresas que já estão transportando suas cargas de helicóptero", disse.

O deputado afirmou que até agora não viu "o início do trabalho que todos gostariam" na intervenção federal. Lembrou que, da verba de R$ 1,2 bilhão aguardada, R$ 200 milhões seriam economias do orçamento da Câmara, e citou o passivo da área de segurança. "Quando [o governo federal] assumiu, deveria ter pensado nisso. Mas não é só recurso. A intervenção era necessária, mas foi decretada sem muito planejamento", disse.

Durante o discurso, defendeu a unificação das polícias Civil e Militar e a regulamentação de jogos de azar, mas não muitos a ponto de se inviabilizar o investimento em cassinos, uma demanda do setor hoteleiro ali presente.

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Bolsonaro fala em vitória em 1º turno

Fernando Taquari

04/05/2018

 

 

O deputado federal e pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL-RJ) foi o grande protagonista na cerimônia que oficializou a ascensão do general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira ao Comando Militar do Sudeste, em substituição ao general João Camilo Pires de Campos. Impulsionado pelas manifestações de apoio, o presidenciável chegou até a dizer ao fim do evento, realizado na capital paulista, que sua vitória no primeiro turno da eleição presidencial não representaria uma surpresa, caso não haja fraude.

"Quem disse que está comigo dificilmente muda de lado. Assim sendo, se não houver fraude nas urnas e se for cumprida a lei do voto impresso, não há dúvida de que, talvez, nem haja segundo turno", declarou Bolsonaro, que negou o excesso de otimismo. "Ninguém trata um pré-candidato a presidente como eu em qualquer lugar do Brasil", acrescentou o parlamentar, ao ressaltar que não tem preferência por adversários na corrida presidencial. "Vou entrar para ser campeão. Entramos em campo para ganhar", disse.

Depois da cerimônia, Bolsonaro foi cercado por diversos militares da ativa e da reserva. Abraçou e cumprimentou a todos. Atendeu um a um os pedidos de 'selfie'. Com um criança no colo, simulou a imagem de uma arma com o indicador e o polegar ao posar para outra fotografia. Em seguida, ao caminhar em direção à banda do Exército, ainda cercada por dezenas de pessoas, pediu que tocassem a canção do paraquedista. Foi prontamente atendido. No passado, o presidenciável integrou a Brigada de Infantaria Paraquedista.

"Aqui é público meu. Se eu não estiver bem na minha casa, vou estar bem com quem? Tenho rodado o Brasil todo e a recepção tem sido excepcional. Eu levo a verdade. O brasileiro está aprendendo a gostar da verdade", disse Bolsonaro ao comentar o apoio dos militares presentes à cerimônia, presidida pelo ministro da Defesa, general de Exército Joaquim Silva e Luna, e o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas.

O presidenciável rechaçou a ideia de que o evento tenha se configurado em um ato de campanha. "Sempre quando posso, eu visito e compareço a eventos como esse. Não é a primeira vez e não é porque pretendo disputar as eleições que estou aqui. Há 20 anos que eu estou na vida pública", explicou Bolsonaro, lembrando ainda que cursou com o general Ramos a Escola Preparatória de Cadetes do Exército.

Bolsonaro ironizou potenciais adversários que avaliam que sua candidatura atingiu um teto e que ele dificilmente disputará um eventual segundo turno. "Não vou dar opinião para quem não atingiu o subteto", declarou. Sobre as pesquisas, que o colocam na liderança sem a presença do ex-presidente Lula, disse que os resultados dos levantamentos mostram o que ele enxerga nas ruas e nos aeroportos do país.

"Fico feliz por um lado, e preocupado, pelo outro. Porque é uma grande expectativa. Peço a Deus força para não só continuar como administrar este país", afirmou.