Título: Próteses mamárias sob risco iminente de explosão
Autor: Castro, Grazielle
Fonte: Correio Braziliense, 20/04/2012, Brasil, p. 8

Das 19,5 mil brasileiras que colocaram próteses mamárias preenchidas com material irregular da marca francesa Poly Implant Prothese (PIP) e da holandesa Rofil, 6,5 mil correm o risco de ter os implantes rompidos. A estimativa é baseada em um estudo inédito de dois pesquisadores britânicos publicado na revista especializada Journal of plastic, reconstructive and aesthetic surgery, divulgado ontem, que mostrou que a taxa de ruptura das próteses chega a 33,8%. O levantamento foi realizado por meio de um exame de precisão em 453 pacientes que receberam os implantes entre sete e 12 anos atrás. Estudos anteriores indicavam que a taxa variava entre 2% e 5% e, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps, na sigla em inglês), já era cinco vezes maior que a das outras marcas.

A conclusão dos pesquisadores britânicos foi a de que todas as pacientes que possuem os implantes devem fazer a troca por outro. Miles Berry e Jan Stanek argumentam que a alta taxa de ruptura, aliada à incerteza do material utilizado na composição do gel de silicone, pode causar danos à saúde de milhares de mulheres. "Esse estudo pode ser a ponta de um iceberg com risco à saúde de 40 mil mulheres que possuem as próteses irregulares no Reino Unido", diz trecho do estudo.

A recomendação fortalece o conselho da Isaps, que, desde o início do escândalo envolvendo a PIP e a Rofil (veja memória), manifestou-se a favor da troca. No Brasil, a instrução do Ministério da Saúde é de que apenas as próteses que possuem indícios de ruptura sejam reparadas, com prioridade para as pacientes com histórico de câncer. As demais devem passar por avaliações médicas constantes. Para a presidente da Comissão de Silicone da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Wanda Correa, a decisão brasileira é correta, embora muitos médicos estejam fazendo as trocas mesmo sem indícios de ruptura.

Silicone industrial

Em estudo recente publicado pela Isaps, o presidente do Comitê de Segurança do Paciente da instituição, Dirk Richter, afirmou que a parte externa da prótese, que deveria conter duas camadas protetoras, só continha uma, e que 25% da composição do gel interno é de um lubrificante derivado de petróleo Baysilone e das substâncias Silopren e Rhodorsil, utilizadas na indústria de borracha. Essa mistura era adicionada a silicone industrial e nenhum desses produtos é recomendado para uso em seres humanos. A estimativa é que o uso das substâncias irregulares gerou aos fabricantes uma economia de 1 milhão de euros.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) espera receber, no próximo mês, o resultado da perícia realizada nas próteses apreendidas da PIP, importadas para o país pela distribuidora Emi. Com base nesse laudo, o Ministério da Saúde, a agência e as sociedades brasileiras de Cirurgia Plástica e Mastologia estudarão se será preciso mudar a recomendação vigente.