Correio braziliense, n. 20155, 28/07/2018. Cidades, p. 9
Rosso e Ibaneis entram na disputa pelo governo do DF
Ana Maria Campos e Ana Viriato
28/07/2018
Deputado federal do PSD concorrerá ao comando do Buriti com o apoio do PPS, PRB, PSC e Solidariedade. Antigo grupo de Frejat aposta no ex-presidente da OAB-DF como candidato a governador e na neta de JK, como vice-governadora
Quatro dias após Jofran Frejat (PR) renunciar à pré-candidatura ao Palácio do Buriti, grupos de centro-direita lançaram duas chapas que poderão herdar votos do espólio eleitoral do médico. Marcada por idas e vindas, a frente capitaneada pelo senador Cristovam Buarque (PPS) colocou o ex-governador-tampão Rogério Rosso (PSD) na disputa pelo GDF, com o pastor da Assembleia de Deus Egmar Tavares (PRB) como vice. Ao Senado, concorrerão o empresário do ramo farmacêutico Fernando Marques e Cristovam. A coalizão que apostava em Frejat se reinventou. MDB, PP e Avante apostam agora no ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no DF (OAB-DF) Ibaneis Rocha (MDB) para o Executivo local. A vice-governadora do advogado será Anna Christina Kubitschek (PP), neta do ex-presidente Juscelino Kubitschek e mulher do empresário Paulo Octávio (PP). A coligação trabalha para atrair novos aliados e realizar as composições das duas vagas do Senado.
O grupo de Rosso conta, por ora, com cinco partidos: PPS, PSD, Solidariedade, PSC e PRB. Com a composição, a chapa tem direito a 1 minuto e 38 segundos de cada um dos dois blocos de nove minutos de propaganda eleitoral na tevê e no rádio. Esta é a mesma frente que abrigava o deputado federal e pré-candidato ao Executivo local Izalci Lucas (PSDB). Ao tucano, na última semana, os articuladores ofereceram a vice-governadoria da chapa. Mas Izalci recusou. Preterido, disse que concorreria ao posto, mesmo sozinho.
A posição de Izalci contraria acordo nacional firmado entre Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD). Conforme o acerto, em troca do apoio ao presidenciável tucano o PSD ganharia suporte para candidaturas ao governo de estados-chave, como o Distrito Federal. Em respeito às tratativas, integrantes do grupo chegaram a conversar com Alckmin antes de formalizar a chapa. Receberam dele a sinalização de que não era mais necessário aguardar.
Questionado sobre a possibilidade de o PSDB reintegrar à coligação, Cristovam foi sucinto: “Essa não é nossa preocupação no momento”. Para o senador, a escolha de Rosso é acertada por diversos motivos, da experiência profissional ao potencial de crescimento do pessedista. “Ele foi governador, administrador de Ceilândia e deputado federal. Com essa bagagem, deve se sair muito bem nos debates. Acreditamos que ele cresça bastante durante a campanha. Além disso, o perfil conciliador atrai aliados”, completou Cristovam.
Justamente por conta do cenário nacional, apesar da insatisfação de Izalci com a escolha da coalizão por Rosso, o PSDB ainda pode voltar aos braços do deputado federal. Nos bastidores, cogita-se a hipótese de Alckmin realizar uma intervenção e garantir a aliança na capital. Em relação à outra união, com a frente formada por MDB, PP e Avante, discutida nos bastidores, Cristovam disse que essa nunca chegou a ser uma opção. “Fazer essa aliança seria ignorar o que disse Frejat sobre os diabos. Não sei se continuam lá, mas a população não entenderia uma aproximação após este posicionamento”, disse, se referindo à frase do médico, o qual afirmou que “não venderia a alma ao diabo” ao comentar as pressões que sofria.
Benção de Filippelli
Na coalizão articulada pelo ex-vice-governador e presidente regional do MDB, Tadeu Filippelli, que conta, ainda, com PP e Avante, tenta fechar acordo com o deputado federal Alberto Fraga (DEM). A ele, foi oferecida a vaga do Senado. Dirigentes partidários trataram do assunto em reunião na noite de ontem. Até o fechamento desta edição, no entanto, o parlamentar não havia anunciado um posicionamento.
Deputado federal mais votado em 2014, com o apoio de mais de 155 mil eleitores, Fraga considerava-se a melhor opção para substituir Frejat na cabeça de chapa e ficou contrariado com a escolha de Ibaneis. A novidade pode levá-lo a procurar abrigo em outra chapa. Há dias, o deputado negocia com a frente política encabeçada por Eliana Pedrosa (Pros), mas aguardava os desfechos de várias negociações para tomar uma decisão. Na coalizão de Pedrosa, tentaria a cadeira de senador.
Mesmo se a opção não vingar, a chapa teria condições para entrar na disputa apenas com a formação inicial. MDB, PP e Avante dispõem de 1 minuto e 44 segundos de cada um dos dois blocos de nove minutos de propaganda eleitoral. Os cofres do grupo também são cheios. MDB e PP figuram na lista dos 10 partidos com as maiores fatias dos fundos partidário e Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Os candidatos das legendas também têm condições financeiras de investir nas próprias campanhas. O poderio será usado para atrair novos aliados até 15 de agosto, data-limite para o registro de candidaturas e coligações.
A vice da chapa, Anna Christina carrega o sobrenome do avô, fundador de Brasília, e a base eleitoral do marido, Paulo Octávio, ex-vice-governador do DF. Presidente do Memorial JK, a neta de Juscelino Kubitschek está licenciada do cargo desde o início de abril. Por comandar uma entidade privada que recebe recursos públicos, ela não poderia concorrer em outubro se não tivesse se desincompatibilizado até o dia 7 daquele mês.
Futuro do PR
Enquanto os candidatos se acomodam nas chapas, a oito dias do fim das convenções partidários, o PR busca abrigo. As articulações são comandadas pelo ex-governador José Roberto Arruda. Até então, cogitava-se a possibilidade de a legenda permanecer no grupo integrado por MDB, PP e Avante. Porém, Arruda e Ibaneis não mantêm um bom relacionamento.
Nos últimos dias, Arruda tentou costurar o apoio do PR à candidatura de Izalci Lucas. Mas o acordo esbarra no acerto nacional entre PSDB e PSD. Correligionário do ex-governador, o deputado federal Laerte Bessa colocou-se como opção para a disputa pelo GDF. Ele aguarda uma resposta do dirigente nacional da agremiação, Valdemar Costa Neto. No meio tempo, Arruda busca outras opções. A prioridade é eleger sua esposa e pré-candidata à deputada federal, Flávia Arruda.
Para saber mais
Filiação é pré-requisito
De acordo com a legislação eleitoral, só podem concorrer às eleições os candidatos que estiverem filiados a um partido político. A escolha dos representantes das legendas deve ser referendada em uma convenção partidária. Esses encontros são reuniões de filiados para debater temas de interesse do grupo ou para escolha de candidatos e para formar as coligações. Nos casos em que o estatuto do partido não traz as regras para a escolha dos candidatos, a direção nacional tem que defini-las e divulgá-las até 180 dias antes das eleições.
Durante as convenções, é sorteado o número com o qual cada candidato vai concorrer. Os partidos têm o direito de manter os números concedidos na eleição anterior e os candidatos podem usar o mesmo número adotado no pleito anterior, quando a disputa é para o mesmo cargo. Deputados federais e distritais podem pedir um novo número ao comando do partido, independentemente do sorteio.
AGENDA
Ao menos oito siglas realizarão as convenções partidárias neste fim de semana.
PSB
Hoje
O partido deve confirmar as candidaturas a cargos majoritários e proporcionais. O nome do governador Rodrigo Rollemberg será oficializado à reeleição e o da ex-secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão Leany Lemos, ao Senado.
PSol
Hoje
A sigla vai oficializar as chapas que testarão as urnas em outubro. A professora da UnB Fátima Sousa concorrerá ao Buriti, com a assistente social Keka Bagno como vice. Disputarão o Senado o ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas Chico Sant’anna e o auditor-fiscal Marivaldo Pereira.
PT
Hoje
Os 300 delegados do partido escolherão entre os nomes do bancário aposentado Afonso Magalhães e do economista Júlio Miragaya para a disputa pelo GDF. Eles são responsáveis, ainda, por decidir os dois candidatos ao Senado. Interessam-se na vaga o distrital Wasny de Roure, o advogado Marcelo Neves e Chico Machado.
PSTU
Hoje
A legenda lançará as chapas que a representarão em outubro. Todos os candidatos a cargos majoritários são professores. Antônio Ricardo Martins Guillen disputará o Palácio do Buriti, com Eduardo Rennó Zanata como vice. Haverá só um postulante ao Senado: Robson Raimundo da Silva.
Solidariedade
Hoje
O partido deve confirmar as candidaturas a cargos majoritários e proporcionais. Entre os destaques estão o presidente regional da sigla e deputado federal Augusto Carvalho, que tentará a reeleição, e o empresário do ramo farmacêutico e pré-candidato ao Senado Fernando Marques.
PRTB
Hoje
Presidida pela filha do senador cassado Luiz Estevão, Fernanda Meirelles Estevão, a sigla vai referendar as candidaturas majoritárias e proporcionais. Ao GDF, concorrerá o major Paulo Thiago. O nome do vice-governador será fechado na convenção. O brigadeiro Átila Lima vai concorrer ao Senado.
PCdoB
Amanhã
O partido pretende confirmar as nominatas proporcionais e designar a uma Comissão Executiva a responsabilidade pela definição majoritária, pois ainda não decidiu se efetivará coligações. Caso concorra numa chapa puro-sangue, são pré-candidatos ao GDF a ex-senadora Emília Fernandes e Volnei Garrafa. O nome de Ana Maria Prestes, que se interessa pela Câmara dos Deputados, não está descartado para a disputa pelo Buriti.
PHS
Amanhã
A sigla confirmou, ontem, o apoio à chapa encabeçada pela ex-distrital Eliana Pedrosa (Pros). Durante a convenção, o partido deve confirmar os nomes que concorrerão a vagas nas Câmaras dos Deputados e Legislativa. A legenda não tem representantes na disputa majoritária.