Título: UE quer Argentina fora do Mercosul
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Fonte: Correio Braziliense, 24/04/2012, Economia, p. 13

O governo espanhol propôs à União Europeia (UE) que continue suas negociações comerciais com o Mercosul — mas sem a Argentina. A medida seria a resposta do bloco à expropriação, há uma semana, do controle do grupo espanhol Repsol na petroleira argentina YPF. "Deveríamos refletir sobre a possibilidade de não continuar as negociações com o Mercosul ou negociar país por país, excluindo a Argentina", disse ontem o ministro espanhol de Assuntos Exteriores, José Manuel García Margallo, após se reunir com seus colegas de UE, em Luxemburgo.

Segundo ele, já houve precedente envolvendo negociações em separado. "Tentou-se primeiro uma negociação região por região, entre UE e Comunidade Andina. Em razão das dificuldades, se optou por acordos com Peru e Colômbia", lembrou.

Antes da retaliação diplomática, a Repsol anunciou ontem que processará qualquer empresa que aproveitar de sua expulsão do capital da YPF para investir na empresa argentina. "Nos reservamos o direito de empreender ações legais contra qualquer investimento na YPF ou em seus ativos ilegalmente expropriados", disse o porta-voz do grupo espanhol, Kristian Rix.

A declaração foi feita no momento em que o governo argentino marca uma série de reuniões com petroleiras estrangeiras. O ministro do Planejamento da Argentina, Julio De Vido, veio ao Brasil semana passada para reunir-se com a Petrobras e marcou encontros com diretores das petroleiras norte-americanas Chevron, Exxon e Conoco Phillips e com a canadense Talismã, entre outras.

A Repsol estimou em US$ 25 bilhões anuais, ao longo de uma década, o investimento necessário para explorar a jazida de Vaca Muerta, na província argentina de Neuquén, considerada a maior da história da YPF, com volumes estimados em 22,8 bilhões de barris de petróleo. (SR)

US$ 10,5 bi pela YPF

O presidente do grupo espanhol Repsol, Antonio Brufau, reafirmou que exigirá compensação da Argentina, via arbitragem internacional, pelo menos no valor de sua participação acionária na YPF, calculada em US$ 10,5 bilhões. O vice-ministro argentino da economia, Alex Kicillof, mentor da intervenção, rejeita a estimativa e acusa a Repsol de ocultar US$ 9 bilhões em dívidas. A nacionalização já levou a Espanha a barrar a importação de biodiesel argentino.