Título: Ceticismo no mercado
Autor: D'Angelo, Ana
Fonte: Correio Braziliense, 24/04/2012, Economia, p. 11
Apesar de todos os sinais emitidos pelo Comitê de Política Monetária (Copom), de que levará a taxa básica de juros para abaixo de 9% ao ano ainda no fim de maio — possivelmente, 8,50% —, mantendo o indicador no nível mais baixo da história por um longo período, o mercado financeiro está cético em relação à capacidade do Banco Central de manter a inflação sob controle, caso a economia recupere o fôlego. Os cerca de 100 analistas ouvidos pela instituição reforçam a estimativa de elevação da Selic em 2013 e apontam para uma taxa de 10%.
Por problemas de comunicação do BC, que a cada reunião do Copom sinaliza para uma direção, os especialistas preferiram não sacramentar um novo corte dos juros no mês que vem. Acreditam que a inflação cedeu, mas não o suficiente para encostar no centro da meta, de 4,5%, definida pelo Conselho Monetário Internacional (CMN). Como essa foi a primeira pesquisa depois da queda da Selic de 9,75% para 9%, a grande maioria ficou na defensiva. Uma mudança mais forte de cenário dependerá do que vier na ata da reunião do Comitê da semana passada, a ser divulgada na quinta-feira.
PIB A preocupação do mercado com os rumos da inflação é evidente. Os analistas acreditam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará este ano em 5,08%. Para 2013, a previsão é de uma alta de 5,50%. Os analistas ainda veem um nível de atividade fraco para este ano, ainda que tenham elevado de 3,20% para 3,21% a projeção de avanço para o Produto Interno Bruto (PIB). No ano que vem, o caminho foi o inverso, as estimativas de crescimento diminuíram de 4,30% para 4,25%.