Título: Os donos da dívida
Autor: D'Angelo, Ana
Fonte: Correio Braziliense, 24/04/2012, Economia, p. 11
Mais da metade dos papéis da dívida pública federal estão nas mãos de bancos e de fundos de investimento, mas essa participação vem caindo. Eles responderam por 29,61% e 27,52%, respectivamente, do estoque de março dos títulos emitidos no país, ou seja, 57,13%. Em fevereiro, esse percentual era de 57,56%, sendo 29,72% de bancos e 27,84% dos fundos.
Enquanto isso, a taxa básica de juros (Selic) segue em queda livre (semana passada foi reduzida de 9,75% para 9% ao ano pelo Banco Central) e os temores de que o governo mexa nas regras da caderneta de poupança aumentam, uma vez que ela vem se tornando mais atraente do que muitos fundos de renda fixa existentes no mercado e que hoje financiam grande parte da dívida do governo.
No ano passado, a poupança rendeu um ponto percentual acima da inflação e houve fundos que tiveram rentabilidade muito menor do que isso e mais de 2 milhões de brasileiros perderam dinheiro em suas aplicações. Questionado pelo Correio se o Tesouro Nacional está preocupado com o movimento dos investidores de fundos de renda fixa para a poupança, e, com isso, uma redução na participação desses mesmos fundos na dívida do governo, o coordenador-geral de operações da dívida pública do Tesouro, Fernando Garrido, negou qualquer preocupação nesse sentido e evitou comentar qualquer expectativa de mudança nas regras da poupança. %u201CO Tesouro não está preocupado. Nada afeta a demanda por títulos públicos%u201D, disse.
No entanto, para o economista da consultoria Tendências, Felipe Salto, essa falta de preocupação do Tesouro é a confirmação de que o governo já definiu essa equação. %u201CEle só tem duas alternativas. Ou interrompe a queda da Selic ou mexe na poupança para poder continuar reduzindo os juros%u201D, afirmou. O economista sênior do BES Investimento do Brasil, Flávio Serrano, lembrou ainda que a redução da Selic %u201Cé uma forma de o governo reduzir a remuneração da dívida pública%u201D, já que boa parte dos papéis são remunerados por ela.
Valorização
A alta de 6,61% no dólar em março foi a grande responsável pelo aumento do custo da dívida pública de 12,20% para 12,37% de fevereiro para março deste ano. Somente os encargos dos débitos externos saltaram de 11,51% para 19,18%. No mês passado, a dívida pública cresceu mais de 1%, ou seja, R$ 19,89 bilhões, considerando a correção dos juros no estoque, de R$ 21,887 bilhões.