Título: O custo do dinheiro
Autor: D'Angelo, Ana
Fonte: Correio Braziliense, 24/04/2012, Economia, p. 11
O mais conhecido símbolo de poupança, aquele cofre com cara de porquinho, para o governo pode ser sinônimo de desperdício. Desde o início do Plano Real, em 1994, até 2011, mais de 5,134 bilhões de moedas — equivalentes a 27% do total disponível — pararam de circular no país. Juntas, elas somam R$ 508,3 milhões. Para colocar o mesmo valor em circulação, o governo gastaria R$ 1,1 bilhão.
"É importante que a sociedade tenha consciência, pois dinheiro custa dinheiro", afirmou o diretor de Administração do Banco Central, Altamir Lopes, ao apresentar pesquisa inédita realizada pelo BC no país. Segundo ele, a chamada taxa de entesouramento — quando as moedas deixam de circular e precisam ser repostas pelo governo — é de 5% no Brasil, proporção semelhante à dos Estados Unidos. Ela é a metade, no entanto, da mexicana, onde a população tem a mania de guardar o dinheiro porque ele é feito de prata.
Assim mesmo, o BC espera reduzir o desperdício no país. Entre moedas que são guardadas em cofrinhos e outras que, simplesmente, perdem-se, deixam de circular por ano 7% das moedas de R$ 0,01 e 3% das de R$ 1. O problema é que para se produzir uma "pratinha" muitas vezes o gasto é maior do que o próprio valor dela. Na de R$ 0,01, o custo é de R$ 0,16; na de R$ 0,05, é de R$ 0,21; na de R$ 0,10, é de R$ 0,25; na de R$ 0,25, é de R$ 0,34; na de R$ 0,50, é de R$ 0,31; na de R$ 1, é de R$ 0,39.
Em 2011, foi produzido no Brasil 1,252 bilhão de moedas. "Ensinar o filho a colocar as moedas no cofrinho é o primeiro passo da educação financeira. Mas é preciso dar o segundo: ensiná-lo a colocar depois o dinheiro na poupança", diz Lopes.
No caso das cédulas, o problema é, geralmente, o desgaste. Para produzir dinheiro na Casa da Moeda, foram gastos, no ano passado, R$ 472 milhões, dos quais R$ 377 milhões tiveram como destinação a reposição. (MM)