Título: Dólar atinge R$ 1,883 e bolsas despencam
Autor: D'Angelo, Ana
Fonte: Correio Braziliense, 24/04/2012, Economia, p. 11
Situação econômica da Europa se agrava e aversão ao risco toma conta dos investidores, que correm para a moeda americana
O mau humor tomou conta ontem do mercado. Enquanto as bolsas em todo o globo operavam em forte baixa durante o dia, o câmbio era pressionado para cima. Depois de bater R$ 1,892, o dólar comercial fechou com alta de 0,7%, cotado a R$ 1,883 na venda. É o maior valor desde 25 de novembro. O Banco Central nem precisou intervir no mercado comprando a moeda norte-americana. A aversão ao risco que tomou conta dos investidores foi suficiente para garantir a alta.
O salto do dólar de R$ 1,72 para quase R$ 1,90 em dois meses não parece espantar o mercado de importados. A entrada de produtos estrangeiros alcançou US$ 5 bilhões na semana passada. A média diária, de US$ 996 milhões, é a maior do ano, divulgou ontem o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. As principais mercadorias importadas foram combustíveis e lubrificantes, aparelhos eletroeletrônicos, produtos plásticos, de borracha e de obras, além de produtos farmacêuticos.
Não faltaram más notícias para azedar o humor dos investidores ontem. Eles ficaram assustados com o agravamento da situação econômica da Zona do Euro e com a instabilidade política na França, por conta das eleições, e na Holanda, onde o primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, anunciou sua renúncia ao cargo logo de manhã, após o fracasso das negociações para reduzir o deficit público do país.
O Ibovespa — índice que acompanha a valorização das 30 ações mais negociadas na Bolsa de São Paulo — recuou 1,53%, aos 61.539 pontos. Foi o terceiro dia consecutivo de desvalorização. A atividade industrial da Zona do Euro apontou queda inesperada em abril, com o menor nível em cinco meses, o que jogou por terra a esperança de que a região poderia sair logo da recessão e aliviar o orçamento dos países em crise. Na China, houve melhora da atividade econômica neste mês em relação a março — o índice que mede esse desempenho passou de 48,3 para 49,1, mas ainda está abaixo de 50, acima do qual aponta ritmo de expansão.
Com tanta notícia ruim, as ações europeias voltaram ao patamar de três meses antes. Na Alemanha, a queda foi de 3,36% e em Londres, de 1,85%. A Bolsa de Paris recuou 2,83% e a de Madri, 2,76%. Em Nova York, o índice Dow Jones amenizou as perdas no fim do pregão e encerrou o dia com desvalorização de 0,78%.