Correio braziliense, n. 20149, 22/07/2018. Cidades, p. 18
Eixo capital
Ana Maria Campos
22/07/2018
Esperando Frejat...
A campanha ao Palácio do Buriti passa por um momento de incertezas com a dúvida sobre a candidatura de Jofran Frejat (PR). O suspense já dura 11 dias. O médico comunicou que repensaria, depois avisou que desistiria, prometeu reavaliar e vai anunciar uma decisão amanhã ao dirigente nacional de seu partido, Valdemar Costa Neto. Enquanto isso, sua equipe e aliados esperam. Líder nas pesquisas, Frejat não é um candidato qualquer. É apontado como o nome mais forte para enfrentar Rodrigo Rollemberg (PSB). Por isso, o mundo político aguarda uma definição.
Na fila
Entre os que precisam de uma decisão de Frejat estão o deputado Alberto Fraga (DEM/DF), pré-candidato ao Senado, e Tadeu Filippelli (MDB) que, há meses, costura uma aliança em torno do ex-secretário de Saúde. De outro grupo, o deputado Rogério Rosso (PSD/DF) também está de olho no desfecho do caso. Ele foi convidado para ser candidato ao Senado, ao lado de Fraga, na chapa de Frejat. Mas também fez uma proposta para que o médico deixe essa aliança e encabece o grupo do qual faz parte com o senador Cristovam Buarque (PPS/DF). Rosso ainda analisa a chance de concorrer ao GDF, mas, com Frejat no páreo também, o jogo é difícil.
Chapa pronta
Enquanto Frejat não se decide, o Partido Novo realizou sua convenção na sexta-feira à noite, com lançamento da chapa completa, liderada pelo empresário Alexandre Guerra, dono da rede Giraffas, tendo como vice o médico Erikson Blun. "O Novo aprovou um time de pessoas de sucesso que vai estar à disposição do eleitor. São médicos, militares, empresários, funcionários públicos, professores e cidadãos com capacidade de gestão, com ficha limpa e preocupados com o DF”, disse Alexandre sobre seu grupo político.
Declaração de apoio
A Rede formaliza amanhã o apoio ao governador Rodrigo Rollemberg (PSB). A direção da legenda deve encontrá-lo para comunicar a decisão.
Despedidas
Jofran Frejat (PR) tem sido comparado a Silvio Caldas, o seresteiro que ficou conhecido como o “Cantor das Despedidas”. Em cada show, dizia que seria o último. Arrancava lágrimas dos fãs e marcava outra apresentação.
Fim do Instituto Hospital de Base
Um dos itens da plataforma de campanha de Rogério Rosso (PSD), caso seja mesmo candidato ao GDF, é extinguir o Instituto Hospital de Base e retomar o modelo de gestão anterior, com a administração direta, demanda dos sindicatos de saúde.
Fake news faz mais uma vítima
Pré-candidato ao Senado, o deputado distrital Chico Leite (Rede) foi vítima de fake news. Uma propaganda circulou pelas redes sociais com a mensagem de que ele pediu a prisão do juiz Sérgio Moro. Logo Chico, que é do Ministério Público, e defende a Operação Lava-Jato. O distrital diz que sabe quem foi o mentor, tem provas e vai acionar os canais competentes.
Em família
Primogênita do governador Rodrigo Rollemberg, a advogada Gabriela Rollemberg é a conselheira da campanha no quesito “evitar problemas”. “Minha filha sempre me diz o que não posso fazer”, brinca o governador. Ela representa o PSB nos tribunais eleitorais e estabelece critérios para impedir que surjam munições contra a campanha.
Candidato?
Amigos de Agnelo Queiroz (PT) tem incentivado o ex-governador a tentar ser candidato a deputado federal nesta eleição. Por causa da condenação na Justiça eleitoral, o petista está inelegível, mas há uma avaliação de que ele pode conseguir uma liminar para concorrer, porque o processo não transitou em julgado. Diferentemente do caso de Lula, sua condenação é na esfera da Justiça Eleitoral. Seria uma tentativa, com poucas chances, mas valeria a pena tentar. Uma candidatura pode ser uma forma de defender o legado de seu governo, coisa que ninguém mais fará. O problema para essa tentativa é o lado psicológico. Agnelo Queiroz anda abatido, segundo contam amigos, e reclama de ter sido abandonado pelo PT.
Só papos
“A paridade da Polícia Federal já poderia ser dada (aos policiais civis). Pago nos primeiros 30 dias a paridade da Polícia Civil junto com o reajuste dos servidores”
Deputado Rogério Rosso (PSD/DF), anunciando um compromisso, caso seja candidato e eleito governador do DF, em entrevista ao programa CB.Poder, do Correio, em parceria com a TV Brasília
“Fizemos a previsão de pagar os reajustes no segundo semestre de 2019. Não adianta prometer que vai dar a paridade da Polícia Civil no primeiro mês de governo. Isso parece tarifa a R$ 1 para ônibus. A demagogia quebrou Brasília”.
Governador Rodrigo Rollemberg (PSB), em sabatina no Jornal de Brasília, repercutindo as declarações de Rosso
Mandou bem
O Conselho Regional de Medicina cassou o registro médico de Denis Furtado, que se intitula Dr. Bumbum. Entre as denúncias de sua atuação, está a de realizar uma cirurgia plástica na cobertura de apartamento na Barra de Tijuca. A paciente morreu.
Mandou mal
Condenado por corrupção no caso do TRT de São Paulo, o ex-senador Luiz Estevão é suspeito de cometer o mesmo crime dentro do presídio, enquanto cumpre pena, com a doação de um terreno para um agente da Papuda, segundo a juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penais.
À QUEIMA-ROUPA
Paulo Roque (Novo)
Pré-candidato ao Senado
“Todos queremos renovação, porque estamos cansados de ver a política como um negócio”
Com tantas indefinições nas chapas, o eleitor vai ficar confuso?
Quem está confuso não é o eleitor, é a velha política com seus caciques. O eleitor sabe que essa confusão é por conta dos cargos, do loteamento do governo. O correto era estarem discutindo o grave problema da saúde, a criminalidade, os mais de 315 mil desempregados no DF. Mas não é isso que os move.
As pesquisas indicam que as pessoas não têm candidato e estão irritadas com a política. Acha que muitos eleitores vão preferir ficar em casa a ir votar?
Os eleitores estão irritados com esse político de carreira. 70% dos eleitores não querem reeleger ninguém. Não pode continuar assim. Dizem que, quando critico a velha política, estou criminalizando os políticos. Ora, quem criminalizou a política foram eles próprios. Olha aí a Lava-Jato e seus presidiários. Não acredito que os eleitores ficarão em casa. Todos queremos renovação porque, estamos cansados de ver a política como um negócio.
Como o Partido Novo vai vencer uma eleição curta em que todos apostam na televisão para se apresentar ao eleitor?
O eleitor já está cansado do horário eleitoral. Já somos os campeões nas mídias digitais. Nas buscas do Google, as pessoas estão interessadas no Novo. Vamos continuar levando a nossa mensagem com muito corpo a corpo, reuniões em todo Distrito Federal, como temos feito, e o nosso programa de tevê vai ser praticamente no Facebook, Instagram e Whatsaap. Vamos surpreender.
Você foi candidato à presidência da OAB/DF e, neste ano, a disputa vai coincidir com as eleições gerais. Acha que os dois pleitos vão se misturar?
Não há qualquer risco. São eleições totalmente distintas. Quando a eleição para o Senado terminar, a outra estará começando.
Você vai apoiar algum candidato na OAB?
Desde que fui anunciado como pré-candidato ao Senado, já declarei neutralidade. Tenho muito respeito por todos pré-candidatos à OAB, que já se colocam com chance nessa disputa. A minha postulação ao Senado tem sido muito bem acolhida na advocacia em geral. A Ordem sempre foi e será minha casa.