Título: Maluf ainda não pode viajar
Autor: Decat, Erich
Fonte: Correio Braziliense, 28/04/2012, Política, p. 6

Justiça de Nova York mantém a ordem de prisão ao deputado federal e a seu filho Flávio na lista da Interpol, que inclui 188 países

O pedido do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) pela suspensão da ordem de prisão e a retirada do nome dele e do filho Flávio Maluf do alerta vermelho na lista de procurados da Interpol foi recusado pela Suprema Corte de Justiça do Estado de Nova York, nos Estados Unidos. Maluf está na lista há quase dois anos, e a ordem de prisão se estende a 188 países. A decisão, da juíza Marcy Friedman, foi tomada na terça-feira e oficialmente comunicada aos advogados na quinta-feira. No entanto, só foi divulgada ontem.

Paulo Maluf é acusado de ter enviado US$ 11,6 milhões para uma conta bancária nos Estados Unidos. Os recursos seriam supostamente oriundos de um esquema de lavagem de dinheiro no Brasil. Caso seja condenado, ele pode pegar até 25 anos de prisão nos EUA.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o parlamentar assegura que "não tem e nunca teve" contas no exterior. Sobre a possibilidade de ser preso ao deixar o Brasil e extraditado aos Estados Unidos, a assessoria do deputado disse que ele não comenta o assunto.

A Procuradoria-Geral de Nova York, autora da ação contra o parlamentar brasileiro, confirma que o político usou parte do dinheiro com despesas pessoais. A verba milionária teria sido desviada na época em que Maluf comandou a Prefeitura de São Paulo entre 1993 e 1996.

Suprema Corte Do escritório em Nova York, a advogada do deputado, Megan Brackney, disse ao Correio que discorda da decisão da Suprema Corte. Ela não revela, porém, se seu cliente pretende recorrer. "Eu e meu sócio estamos analisando as opções do senhor Maluf, que pode vir a apresentar recurso da decisão", afirmou.

Megan explica ainda que, embora o tribunal responsável pelo julgamento tenha o nome de "Suprema Corte", é, na verdade, apenas a primeira instância. "Até mesmo os norte-americanos de outros estados têm dificuldade de entender essa peculiaridade daqui", considerou. A advogada informou também que há duas instâncias de apelo na Justiça de Nova York.