O globo, n. 30962, 15/05/2018. País, p. 5

 

Moro condena 13 por propina em obra no Fundão

Gustavo Schmitt

15/05/2018

 

 

Novo Centro de Pesquisas da Petrobras teve a licitação fraudada

Treze pessoas foram condenadas ontem pelo juiz Sergio Moro por um esquema de corrupção que movimentou R$ 40 milhões nas obras do novo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), na Ilha do Fundão, no Rio. A sentença atingiu, entre outras pessoas, o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e o empreiteiro Leo Pinheiro, da OAS.

Esta foi a primeira condenação da Lava-Jato contra Ferreira. Depois de passar sete meses preso em Curitiba, o ex-tesoureiro do PT foi solto em fevereiro de 2017 e aguarda o julgamento dos recursos em liberdade. Ontem, ele foi sentenciado a nove anos e dez meses de prisão por associação criminosa e lavagem de R$ 2,1 milhões de propina. A defesa reafirma sua inocência e diz que vai recorrer.

Duque pegou dois anos e oito meses de prisão em regime semiaberto, enquanto Leo Pinheiro foi sentenciado a dois anos e seis meses em regime aberto. Presos em Curitiba, já condenados em outros processos da Lava-Jato, os dois devem ter as penas por corrupção passiva abrandadas, pois têm colaborado com a Justiça.

 

TECNOLOGIA PARA O PRÉ-SAL

Segundo a denúncia, um consórcio formado pelas empreiteiras OAS, Carioca Engenharia, Construbase Engenharia, Construcap CCPS Engenharia e Schahin Engenharia fraudou a licitação da ampliação do novo Cenpes por meio de pagamento de propinas a funcionários da estatal e a partidos políticos.

Três pessoas foram condenadas por lavagem de dinheiro: Adir Assad, Roberto Trombeta e Rodrigo Morales. O ex-vereador petista Alexandre Romano foi apontado como intermediário da propina para Ferreira. Completam a lista executivos das empresas envolvidas no esquema.

Instalado há 40 anos na Ilha do Fundão, o Cenpes foi duplicado para desenvolver novas tecnologias para retirar petróleo das camadas do pré-sal.