Título: Hora certa para negociar débitos
Autor: Martins, Victor
Fonte: Correio Braziliense, 05/05/2012, Economia, p. 15
Hora certa para negociar débitos
Especialistas em finanças aconselham consumidor a conversar com gerentes para trocar empréstimos caros por outros
O brasileiro atolado em dívidas ganhou um fôlego extra nas últimas semanas para reorganizar as contas e sair do vermelho. Diante da redução dos juros, sobretudo nos bancos públicos, especialistas alertam que o momento é de negociar e trocar faturas caras por outras mais baratas. As próprias instituições deram início a programas de educação financeira e passaram a sugerir linhas de financiamento de menor custo para os clientes em situação crítica, a exemplo dos que usam recorrentemente o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito.
Um dos objetivos do governo com a pressão para reduzir os spreads (diferença entre o que o banco cobra para emprestar e o que ele paga para captar) é, enquanto diminui o custo das operações de crédito, promover uma restruturação das contas do brasileiro. A despeito de todas as facilidades vendidas pelos bancos após o corte dos juros, o endividado, segundo especialistas, não pode esperar que sua fatura seja organizada sozinha. "É preciso gastar sola de sapato e saliva com o gerente, exigir os benefícios e, se necessário, trocar de banco", ensina o educador financeiro Reinaldo Domingos.
Segundo uma pesquisa da Serasa Experian, os consumidores, no primeiro momento, não devem aproveitar os juros baixos para mais consumo. Na visão da gestora de risco, o elevado endividamento e a inadimplência, somados ao maior rigor dos bancos para emprestar, devem fazer, inclusive, o crédito se expandir em ritmo inferior ao do ano passado, mesmo com as taxas em nível menor. As famílias, de acordo com especialistas, devem primeiro limpar o nome.
Exigência Fábio Gallo Garcia, professor de economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), observa que é totalmente possível sair de uma dívida mais cara para uma mais barata. "Mas só vai dar certo se as pessoas cobrarem dos seus gerentes", afirmou. Ele sugere que o envidado que não sabe o que fazer procure seu gerente e exponha suas contas de maneira que ele ajude a encontrar a melhor e mais barata linha de crédito para aquela dívida.
No caso do cliente que está com uma dívida de R$ 1 mil no cheque especial, é possível, por exemplo, tomar um empréstimo no consignado, que tem taxa inferior a 1% ao mês e bem menor que a do limite especial. Nesse exemplo o consumidor pagaria cerca de R$ 1,1 mil ao fim de 12 meses. O mesmo exemplo serve para os que foram pegos pela bola de neve do rotativo do cartão de crédito, conhecido popularmente como pagamento mínimo. Se não há como usar o consignado, existem outras opções, como o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) e o parcelamento da fatura do cartão.
Se a dívida é um financiamento imobiliário ou de veículo, a opção é tentar a portabilidade. Entretanto, fazer essa mudança da dívida para outro banco tem um custo. No caso do imóvel, de imediato o custo é de R$ 1.047,73 no Banco do Brasil e de R$ 1.447,73 na Caixa Econômica. Isso porque para elaborar o novo contrato de financiamento imobiliário as instituições exigem uma nova avaliação da residência. Nessa conta ainda entram as taxas do Cartório de Registro de Imóveis. No caso do automóvel, as taxas no Departamento de Trânsito podem consumir quase R$ 250.
Dinheiro para veículos Um mecanismo para facilitar a transferência do crédito de veículos está sendo oferecido pelo Banco do Brasil às pessoas que têm automóvel financiado por outras instituições e querem reduzir o valor das prestações. O BB afirma que ele estará disponível no fim do mês e vai facilitar e agilizar as chamadas operações de portabilidade do crédito. Segundo a instituição, os interessados precisarão apenas atualizar o cadastro, para que seja estabelecido o limite de crédito, e solicitar a transferência da dívida. O banco promete providenciar a liquidação do saldo devedor junto à financiadora informada pelo cliente e acompanhar a transferência da alienação fiduciária do veículo junto ao Detran.
3,94% Nova taxa do cheque especial do Banco do Brasil