Título: Perillo é citado
Autor:
Fonte: Correio Braziliense, 11/05/2012, Política, p. 3
As informações repassadas pelo delegado Matheus Mella Rodrigues complicaram ainda mais a situação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB-GO), e de seu secretariado. E le informou que o nome do governador aparece mais de 200 vezes nos diálogos entre integrantes da organização cr iminosa controlada por Carlinhos Cachoeira. A Polícia Feder al ainda falta analisar 25 malotes de documentos apreendidos pela operação e 150 CDs referentes às interceptações telefônicas.
De acordo com parlamentares presentes ao depoimento, o delegado relatou a influência direta de Cachoeira em vários setores do governo, incluindo indícios de pagamento de propina a secretários e nomeações de aliados do bicheiro em órgãos estaduais. A investigação encontrou pelo menos uma conversa entre Cachoeira e Perillo, que telefonou para desejar feliz aniversário. A operação Monte Carlo revelou que o governador jantou com o bicheiro na casa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). “Ficou claro que a organização estava entranhada no governo de Goiás, além de movimentos no Distrito Federal e no Paraná”, disse o deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI.
A sessão secreta foi interrompida depois que o senador Pedro Taques (PDT-MT) informou aos colegas que advogados de Cachoeira e Demóstenes acompanhavam a reunião e que isso não havia sido informado pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). Muitos dos integrantes não sabiam que a defesa tinha direito a estar presente e criticaram Vital por não ter exposto ao fato.
Irritação
A senadora Kátia Abreu (PSD-TO), autora do requerimento para que o depoimento fosse fechado, lembrou que a intenção era justamente evitar que as informações passadas pelo delegado servissem de subsídio para os representantes de Cachoeira e Demóstenes. Ela admitiu que, ao fazer o pedido, não sabia da prerrogativa. “Os delegados foram preservados, enquanto nós, parlamentares, ficamos expostos. Se soubéssemos da presença dos advogados, eu e outros adotaríamos outra estratégia e não teríamos feito certas perguntas ao delegado, entregando o ouro aos bandidos.”
Bate-boca na frente das câmeras de televisão e trocas de farpas entre parlamentares na sessão secreta evidenciaram discordâncias extremas na comissão. Três horas após o início do depoimento, o senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP) e o deputado federal Sílvio Costa (PDT-PE) protagonizaram troca de acusações em torno da convocação de Perillo. Dentro da sala, os ânimos também estavam exaltados. O senador Humberto Costa (PT-PE) foi chamado de sanguessuga, numa referência à máfia das ambulâncias, pelo deputado federal Ônyx Lorenzoni (DEM-RS). (JV e GM)