Correio braziliense, n. 20182, 23/08/2018. Cidades, p. 18
Eixo Capital
Ana Maria Campos
23/08/2018
Nova pesquisa confirma cenário embolado na disputa pelo Buriti
A pesquisa do Instituto Datafolha, encomendada pela TV Globo e pela Folha de S.Paulo, divulgada ontem, mais uma vez indica que a disputa eleitoral ao Governo do Distrito Federal está embolada e o resultado é imprevisível. A 45 dias da eleição, é impossível apostar como será o duelo no segundo turno. O levantamento apontou novamente que o cenário está tecnicamente empatado. Eliana Pedrosa (Pros) tem 15%, Rodrigo Rollemberg (PSB), 14%, e Rogério Rosso (PSD), 13%. Alberto Fraga (DEM) apareceu em quarto lugar, com 8%. A margem de erro é de três pontos percentuais. A coleta dos dados ocorreu entre 20 e 21 de agosto. Na pesquisa do Instituto Opinião Política, divulgada pelo Correio na semana passada, Rollemberg apareceu com 12,3%, Eliana, 12,1%, Rosso, 8,5% e Fraga, 8,4%. Os questionários foram aplicados em campo entre os dias 10 e 13 de agosto.
Rollemberg vai às ruas com Ciro Gomes
O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) vai andar pelas ruas de Ceilândia hoje ao lado do candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes. É a primeira agenda de campanha no Distrito Federal casada com a disputa nacional.
Se fazendo conhecida
A candidata ao Buriti Fátima Sousa (PSol) tem andado pelas cidades e conversado pacientemente com cada pessoa que se dispõe a ouvi-la. Ela tem registrado muitas indagações sobre como evitar atos de corrupção na gestão pública do DF. Em algumas situações, a professora é confundida com a adversária que está no topo das pesquisas: “A senhora é a dona Eliana?".
Leany usa ironias para criticar adversários
Responsável pelo ajuste fiscal do governo Rollemberg, a ex-secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão Leany Lemos (PSB) tem usado as redes sociais para criticar os candidatos ao Palácio do Buriti que prometem aumento dos salários dos servidores. Na semana passada, Leany, que concorre nas eleições como suplente de Leila do Vôlei na disputa ao Senado, ironizou a proposta de Rogério Rosso (PSD) de pagar a terceira parcela do reajuste de 32 categorias, a paridade da Polícia Civil do DF com a Polícia Federal e ainda aumentar o salário dos policiais e bombeiros militares. Leany postou no Twitter: “E traz seu amor de volta em três dias também”. Sobre o compromisso de Ibaneis Rocha (MDB) de turbinar os contracheques dos servidores com os aumentos suspensos por Rollemberg e ainda cortar impostos, Leany escreveu: “O secretário de Fazenda será o Papai Noel e o de Planejamento, o Mágico de Oz”.
Fraga elogia comandante da PM de Rollemberg
Candidato ao GDF, o deputado Alberto Fraga (DEM), caso seja eleito, pretende manter em algum cargo no governo o comandante-geral da Polícia Militar do DF, Coronel Marcos Nunes. O oficial trabalhou durante 14 anos na equipe de Fraga na Câmara dos Deputados. “O Nunes é muito sério”, disse Fraga, em entrevista ao programa CB.Poder.
Reguffe explica por que está fora da campanha
O senador José Antônio Reguffe (Sem partido/DF) gravou um vídeo para explicar por que está fora da corrida eleitoral. “Nessas eleições, não serei candidato. Vou honrar o compromisso que assumi na eleição passada de cumprir o mandato inteiro no Senado. Não é correto a pessoa largar o mandato pela metade e deixar o mandato para um suplente que as pessoas não votaram e que, muitas vezes, sequer sabem quem é”, afirmou. E acrescentou: “É preciso ter respeito aos eleitores". Reguffe também divulgou a sua cartilha de compromissos que candidatos devem assumir para ter o seu aval na disputa a mandatos de deputados, como redução de custos de gabinete, não aceitar cargos no governo ou votar sempre contra aumentos de impostos. A pergunta que não quer calar, no entanto, é: quem Reguffe vai apoiar na disputa ao Palácio do Buriti?
À QUEIMA-ROUPA
Professor Marcos Pacco, Deputado federal (Patriotas)
O senhor é suplente e assumiu o mandato de deputado federal pelos próximos quatro meses com a licença de Rogério Rosso. Vai dar tempo de fazer algo?
Vai, sim. Na verdade, eu já me movimentei. Pedi agilidade na aprovação da Lei geral dos concursos, que tramita há 18 anos na Câmara. Essa lei estabelece, por exemplo, data mínima de 90 dias entre a divulgação do edital e a prova. Um prazo menor prejudica quem vai prestar o concurso. A lei prevê também a garantia de que, quem passar, será chamado dentro do número de vagas previsto.
Mas dá para aprovar um projeto como esse em semestre de campanha eleitoral?
Requeri que o relator apresente o parecer, parado há quatro anos. Haverá um esforço concentrado na primeira quinzena de setembro para votações. Pode ser que em quatro meses não dê tempo, mas faço as coisas se movimentarem.
A sua posse como deputado, com a licença do Rosso, faz parte do acordo para que seu partido, o Patriotas, apoiasse a candidatura dele?
Não. Era algo que já ocorreria. Rosso acha que não daria para compatibilizar a campanha a governador com a agenda da Câmara.
Por que fechar com Rosso?
Pesou o acordo nacional. Os seis partidos da nossa coligação, o PSD, PRB, Solidariedade, PSC, PPS e o Podemos, fecharam o apoio ao candidato Alvaro Dias (Podemos). Também havia um ambiente mais favorável para disputa a federal nesta coligação. A expectativa é de que façamos dois deputados federais.
O senhor era aliado de Rollemberg e, inclusive, participou do governo como secretário de Desenvolvimento Social e administrador de Brasília. Por que não apoiar a reeleição?
Foram as circunstâncias políticas para a eleição de deputado federal e também porque acredito na candidatura do Rosso. Meu segmento político não quer apoiar Rollemberg.
Acha que Rosso pode ganhar a eleição?
Acho que sim. Ele já demonstrou que tem o maior potencial de crescimento.