Título: Um produto para a criança
Autor: Martins, Victor; Mainenti, Mariana
Fonte: Correio Braziliense, 06/05/2012, Economia, p. 16

O "dinheiro de plástico" também tem se tornado comum entre as crianças. Os pais podem tornar os filhos clientes de um banco a partir dos 11 anos, dependendo da instituição. A maioria oferece produtos simples, com nomes e cores atraentes para esse público.

Na maioria dos casos, são contas e cartões que os pais podem usar para depositar mesada e ensinar os filhos a guardar dinheiro. O Bradesco, por exemplo, oferece um serviço no qual o cliente, entre 11 e 17 anos, pode inclusive aplicar em poupança, fundos ou Certificados de Depósito Bancário (CDB). Nessa modalidade, porém, o adolescente tem apenas um cartão de débito. A partir dos 16 anos, se houver autorização dos responsáveis, em algumas instituições o jovem pode ter acesso a cheques e cartão de crédito.

Para os especialistas em finanças, o uso de uma conta-corrente por crianças e adolescentes é útil para educar os filhos quanto ao uso do dinheiro e das ferramentas bancárias desde cedo. Segundo eles, a medida diminui as chances de esse jovem se tornar inadimplente ou ter dificuldades em guardar dinheiro no futuro.

Pré-pagos A modalidade mais difundida entre o público infantil é o cartão de crédito pré-pago. Com ele o responsável pode limitar os gastos e os locais onde se pode gastar. O uso é comum entre funcionários de empresas que usam vale-alimentação e vale-transporte, por exemplo. Para especialistas em finanças, os pré-pagos são o melhor caminho para iniciar a criança no mundo das finanças, pois ela começa cedo a reconhecer as limitações do seu crédito e a mensurar os gastos. A outra vantagem está no acompanhamento, pelos pais, de tudo o que é gasto e principalmente onde foram efetuadas as compras, inclusive a discriminação dos produtos.

Os pais que pretendem oferecer aos filhos os cartões pré-pagos de débito ou crédito devem verificar as condições dos diversos bancos e mesmo a extensão de cartões específicos de sua conta, de forma a reduzir os custos de tarifas de administração. Muitos deles têm produtos financeiros sob medida para esse público, como é o caso do Banco do Brasil dono do Ourocard Pré-Pago Visa, lançado em outubro. O correntista pode pegar até 20 cartões e a tarifa para a primeira carga é de R$ 15, para custear a emissão, e as demais, de R$ 5, independentemente do valor a ser carregado no cartão. A modalidade é uma das mais difundidas no mercado.

Esses cartões são classificados como "multiúso", mas, na realidade, funcionam como cartões de débito, podendo ser usados em lanchonetes, farmácias, sorveterias e toda a rede conveniada à bandeira que administra o cartão — no caso específico do BB, é a Visa.