Título: Quadrilha buscou partidos à venda
Autor: Sassine, Vinicius
Fonte: Correio Braziliense, 02/05/2012, Política, p. 3

O partido nanico PHS esteve na mira do bicheiro Carlinhos Cachoeira, interessado em ter o controle de uma legenda para ampliar seu poder de atuação política. Conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal (PF) mostram um diálogo entre Cachoeira e o então presidente do Detran de Goiás, Edivaldo Cardoso, em julho do ano passado. Eles falam sobre Eduardo Machado, presidente do PHS no estado e secretário-geral da sigla. “Talvez ele possa passar o partido dele para nós”, diz o bicheiro. Em entrevista ao Correio, Eduardo confirmou ter sido procurado por um representante do contraventor interessado na compra da legenda. “Ele me propôs fazer uma parceria. No meio político, a gente entende que isso é comprar o partido.”

O PHS é o terceiro nanico que Cachoeira tentou adquirir em Goiás. O Correio mostrou na segunda-feira, 30, que o bicheiro tinha interesse em controlar o PRTB e chegou a agendar uma reunião com o presidente do partido, Levy Fidelix. As transcrições das conversas telefônicas mostram que Cachoeira estava “de olho” também no PRP.

O contraventor já exercia, antes de ser preso na Operação Monte Carlo, total controle sobre o presidente de outro nanico em Goiás. O PTdoB é presidido por Edivaldo Cardoso, que chefiou o Detran do estado até a deflagração da Operação Monte Carlo. Ele integrou o governo de Marconi Perillo (PSDB) como cota das indicações de Cachoeira, segundo a PF. Edivaldo, amigo do bicheiro há 15 anos, foi demitido da presidência do Detran depois de ser apontado como intermediário de Perillo junto ao contraventor.

Sobre o presidente do PHS em Goiás, Edivaldo diz a Cachoeira que “ele é bom”, numa conversa telefônica usada nas investigações. Eduardo Machado afirma que foi procurado por um advogado que dizia representar o “empresário” Carlinhos Cachoeira. “Em Goiás, todo mundo sabe quem é ele. Se alguém de fora chega até mim, alguém que não conheço, e me propõe uma parceria, que parceria pode ser essa?”, questiona o presidente do PHS. “Recusei a proposta e disse que não tinha interesse.”

Reunião Araponga da organização criminosa, Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, chegou a agendar um encontro entre Cachoeira e o presidente do PRTB, Levy Fidelix. “Ele vai chegar às 10h e um colega vai pegá-lo no aeroporto”, diz Dadá ao bicheiro, numa conversa telefônica em maio de 2011. Quatro dias antes, o araponga havia informado em outra conversa que o advogado de um partido havia pedido R$ 300 mil para Cachoeira ficar “com o estado todo na mão, para nomear os municipais”. O contraventor pediu que fosse feita uma oferta de R$ 150 mil.

Levy Fidelix publicou nota no site do PRTB para refutar as acusações publicadas pelo Correio. Em entrevista ao jornal, ele disse: “De Dadá, só conheço Dadá, Dedé, Didi, Mussum e Zacarias. De Cachoeira, só queda d’água”. Levy Fidelix afirmou ainda que não se encontra “com esse tipo de gente” e que não atende telefonemas de estranhos. “Pode ser bandido, sequestrador. Eles podiam ter a intenção de fazer contato até com o papa.”

"De Dadá, só conheço Dadá, Dedé, Didi, Mussum e Zacarias. De Cachoeira, só queda d’água" Levy Fidelix, presidente do PRTB