Correio braziliense, n. 20184, 25/08/2018. Política, p. 3

 

Em busca do agronegócio

Gabriela Vinhal

25/08/2018

 

 

A ambientalista Marina Silva visita fazenda em Goiás e tenta se aproximar do setor, com elogios à Embrapa e à tecnologia. Oro Gomes, em Palmas, critica o PT, e, em Belo Horizonte, Geraldo Alckmin "foge" de pergunta sobre segundo turno
Ipameri (GO) — Para que a imagem de ambientalista e a proximidade com o Partido Verde — Eduardo Jorge, da sigla, é candidato a vice na chapa — não atrapalhem a campanha no meio do agronegócio, Marina Silva (Rede) está atrás do setor. Ontem, ela esteve em Goiás, depois de passar a quinta-feira no Distrito Federal, para visitar a fazenda Santa Brígida. Lá, elogiou a modernização na agropecuária e o papel da Embrapa em pesquisas na área. Aliás, prometeu que, se eleita, a empresa pública não será privatizada.

“A Embrapa tem um papel estratégico para a agricultura. Caixa, Banco do Brasil e Petrobras não serão privatizados”, assegurou a candidata. Ela citou a empresa ao criticar o PL dos Agrotóxicos. “O PL dos agrotóxicos não é adequado para o Brasil se tornar um país cada vez mais competitivo na agricultura. Temos um potencial de exportação muito grande e, quanto melhores forem nossas práticas, mais abertura o país terá nos mercados norte-americanos e europeus”, disse Marina.

Segundo ela, o objetivo é criar políticas públicas que ajudem a aprimorar o treinamento especializado para a prática sustentável. “É preciso valorizar as tecnologias que já existem, melhorar a produção agrícola e integrar a economia e a ecologia. Decidi há muito tempo que temos que usar as boas ideias e transformá-las em políticas públicas. Se o Estado aprimorasse o que já existe, não erraria com tanta frequência.”

Na Santa Brígida, primeira fazenda exemplo da integração entre a produção agrícola rentável e a proteção do meio ambiente, Marina afirmou que, se eleita, pretende ampliar o modelo para todo o país. A tecnologia utilizada na propriedade faz parte do conjunto de práticas conhecido como agricultura de baixa emissão de carbono, financiado desde 2010 pelo governo federal para ajudar a aumentar a produtividade, a renda do produtor e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. “No plano de governo, temos a noção de que a agricultura tem uma importância estratégica: gera 20% dos empregos e representa 22% do PIB. Temos um grande desafio porque também representa 22% das emissões de CO²”, completou.

Ciro Gomes
O candidato a presidente Ciro Gomes (PDT) afirmou que a cúpula do PT “explora a boa-fé do povo” com a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso no âmbito da Lava-Jato. Em Palmas, com sua candidata a vice, Katia Abreu, senadora do estado, Ciro evitou, contudo, criticar o petista. “O que a cúpula do PT está fazendo é uma espécie de fraude”, disse a jornalistas. Apesar do tom, o ex-presidente foi poupado das críticas do adversário. Ciro chegou a falar sobre “o carinho que a gente tem por ele”.

Referiu-se, também, à proposta para o Tocantins, considerando que a deficiência para o agronegócio do estado e da região é a infraestrutura. “A grande prioridade para além de renda, de subsídio para o crédito, a grande ajuda, aqui, é a infraestrutura.” E mais promessas: assegurou que fará a Ferrovia Norte-Sul cumprir seu papel, barateando o frete, conectar a Transnordestina, terminar a Leste-Oeste e duplicar rodovias.

Geraldo Alckmin
Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência da República, voltou a dizer que, na política, existe “um abismo muito grande entre falar e fazer”. A declaração veio em meio a perguntas de repórteres sobre estratégias de enfrentamento do líder nas pesquisas de intenção de voto sem a presença do ex-presidente Lula, Jair Bolsonaro (PSL). Ao lado da mulher, Lu Alckmin, o candidato tucano visitou a entidade Lar Antônio Tereza, em Belo Horizonte, e disse ainda ter certeza de que vai para o segundo turno. “Não sei quem vai conosco para o segundo turno, mas estaremos firmes lá”, afirmou.

Ao ser questionado sobre o líder nas pesquisas, o tucano disse que vai conquistar o eleitor com propostas. “Mostrando o que nós já fizemos. Há um grande abismo na política entre o falar e o fazer. E nós já fizemos. Se pegar a economia de São Paulo, foi a que mais atraiu investimentos”, disse o tucano, que já governou o estado quatro vezes.

Na corrida Alvaro Dias
» O candidato do Podemos à Presidência, Alvaro Dias, rebateu as críticas de adversários e afirmou que “não se arrepende” do convite público que fez ao juiz federal Sérgio Moro para assumir o Ministério da Justiça em um eventual governo dele. “Este convite não se trata de oportunismo. Eu sempre apoiei a operação Lava-Jato, assim como o trabalho do Moro e do Ministério Público Federal, apresentando projetos que são conciliadores com o que eles pregam”, afirmou o candidato em entrevista à Record TV. Questionado sobre a amizade com Joel Malucelli, suplente dele no Senado e dono de grupo que foi alvo da Lava-Jato, Dias disse que ele é um “empresário de respeito, de muita respeitabilidade”.

João Amoêdo
» Apoiadores do Partido Novo participaram, ontem, do primeiro ato público da campanha do presidenciável João Amoêdo em São Paulo. Durante a caminhada, que começou por volta das 12h no Largo da Batata, na zona oeste da capital paulista, o candidato foi acompanhado por cerca de 100 pessoas. O empresário interagiu com comerciantes e transeuntes, enquanto correligionários distribuíam uma onda laranja de santinhos. Ao final do evento, Amoêdo afirmou que eventos assim são positivos para tornar o partido mais conhecido. “A nossa dificuldade sempre foi divulgação. A aceitação das nossas ideias sempre foi alta e, agora, com essa exposição, muita gente vai vir para o Novo”, afirmou.

Henrique Meirelles
» O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava-Jato, aparece duas vezes no vídeo piloto da campanha presidencial do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB). Segundo a campanha de Meirelles, houve um vazamento do material, que deve ser exibido na estreia do emedebista no horário eleitoral na tevê, em 1º de setembro. A primeira aparição de Lula ocorre em um trecho de um discurso do ex-presidente no qual ele diz: “Tenho muito respeito pelo Meirelles e devo a esse companheiro”. Procurada, a campanha do emedebista disse que este foi um programa teste e que ainda não está definido o comercial que será usado integralmente.

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Bolsonaro aposta em "lives"

25/08/2018

 

 

O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) diz que vai usar o tempo na televisão para “falar um pouquinho” de sua vida e que não pretende gastá-lo fazendo ataques a outros candidatos. “Em 15 segundos, vou conseguir falar um pouquinho de mim, e está bom demais”, afirmou, em campanha pelo interior de São Paulo. Segundo o candidato, a campanha também teve uma ideia de chamar os eleitores para “lives” (transmissões ao vivo na internet) durante as inserções na televisão. Assim, eles tentariam aumentar o contato com o público, fora do horário regulamentar, pelas redes sociais.


“Há uma ideia de que, segunda, quarta e sexta, quando há propaganda para presidente, quando começar, sempre nesse horário da noite, a gente fazer uma live e chamar o eleitor (pela televisão)”, explicou. O presidente do partido, Gustavo Bebianno, explica que a produção será feita “por um rapaz que a gente contratou na Paraíba, que é baratinho”. Ele admite que o contrato com “o rapaz baratinho” será feito com a empresa 9Ideia Comunicação, de João Pessoa, na Paraíba.

O contato com a empresa 9Ideia teria sido feito por meio de Julian Lemos, vice-presidente do partido, que é da Paraíba. Nos perfis da empresa nas redes sociais (Instagram e Facebook), é possível ver fotos de Julian em comemorações de aniversário da 9Ideia e um vídeo em que ele toca no violão o jingle da campanha. Julian recusou-se a dar entrevista à reportagem, alegando que a mídia “distorce informações”.