Título: CPI não deve sair do papel
Autor: Tahan, Lilian; Maria Campos, Ana
Fonte: Correio Braziliense, 08/05/2012, Cidades, p. 22

Com maioria de governistas entre os integrantes da CPI da Arapongagem na Câmara Legislativa, o Executivo não terá surpresas durante as investigações. O mais provável é, inclusive, que o grupo alinhado a Agnelo Queiroz (PT) consiga evitar o andamento dos trabalhos e a Comissão Parlamentar de Inquérito seja extinta nos próximos dias, antes mesmo de ser efetivamente iniciada. Dos cinco componentes da CPI, quatro são pessoas da confiança do governador. É bem provável que atuem no sentido de evitar o quórum necessário para a realização das sessões.

Os nomes dos distritais que vão integrar a CPI instalada para investigar denúncias de espionagem contra políticos, promotores de Justiça e jornalistas foram indicados ontem pelos blocos partidários. São os titulares: Chico Vigilante (PT), Luzia de Paula (PPS), Cristiano Araújo (PTB), Siqueira Campos (PSC) e Celina Leão (PSD). Wasny de Roure (PT), Joe Valle (PSB), Benedito Domingos (PP), Dr. Michel (PSL) e Eliana Pedrosa (PSD) são os respectivos suplentes. Significa dizer que Celina Leão está isolada. Não terá forças para manter a investigação. Até o momento, é uma vitória do Executivo.

Governistas sempre avaliaram que a CPI da Arapongagem foi criada para desgastar a imagem de Agnelo Queiroz, atingida por sucessivas crises políticas. Com essa convicção, aliados se concentraram em uma manobra para neutralizar a oposição. Quando foi idealizada, a Comissão de Inquérito chegou a contar com o apoio de 23 dos 24 deputados, que tinham se comprometido, inclusive, a assinar uma moção pedindo a exoneração do coronel Rogério Leão, chefe da Casa Militar e apontado por alguns deputados como suspeito de comandar um suposto esquema de espionagem política.

De volta à Câmara

Agnelo e sua tropa conversaram com um a um dos distritais da base e demoveram da ideia 11 integrantes da base. O assunto se tornou tão importante que justificou o retorno de dois secretários de Estado — Raad Massouh (PPL) e Cristiano Araújo — para a Câmara Legislativa. Cristiano bem que queria indicar um nome e voltar logo ao posto no Executivo, mas foi convencido a ser ele próprio o escudeiro de Agnelo, indicando a si próprio como integrante da comissão, na condição de líder de seu bloco.

A partir do momento da publicação dos nomes que integram a CPI da Arapongagem no Diário da Câmara, o que deverá ocorrer até amanhã, começa a contar um prazo de 10 dias úteis para a eleição do presidente e do relator da comissão. Para que ocorra a escolha, é fundamental a votação. E para que ela aconteça, deve haver quórum na sessão, ou seja, pelo menos três dos cinco distritais. Atendendo a uma articulação do governo, é bem possível que os deputados governistas não apareçam. Chico Vigilante deu o tom de como será o desfecho dessa disputa com a oposição: "Essa CPI não tem meios, mecanistas e instrumentos para fazer uma investigação. É um factoide para tirar o foco das discussões. Deverá seguir o mesmo rumo de outras CPIs, como a do Pró-DF, que não deram em nada".

Os integrantes Confira a composição da CPI da Arapongagem. Dos cinco indicados, quatro são governistas

Chico Vigilante (PT) É o líder do bloco que inclui o PT e o PRB e uma das principais vozes em defesa do governo na Câmara Legislativa. Vai, portanto, se movimentar no sentido de evitar que a CPI se confirme. E, se isso for inevitável, trabalhar para que a investigação seja mantida sob controle.

Cristiano Araújo (PTB) Até a criação da CPI da Arapongagem, atuava como Secretário de Ciência e Tecnologia do GDF. Voltou à Câmara a pedido do governo para evitar que a comissão ganhasse força capaz de expor o Executivo. Portanto, a postura do distrital favorável a Agnelo é mais que esperada.

Luzia de Paula (PPS) É suplente na vaga aberta pelo titular Alírio Neto, que atua como secretário de Justiça e Cidadania. Embora tenha assinado a favor da instalação da CPI por orientação do partido, é considerada uma distrital bem próxima a Alírio e bastante alinhada com os interesses do Executivo.

Siqueira Campos (PSC) Está vinculado ao bloco de Rôney Nemer e de Agaciel Maia, grupo liderado pelo vice-governador Tadeu Filippelli. À exceção de Robério Negreiros, que assinou a favor da CPI, os demais integrantes do bloco de Siqueira foram contra a investigação de arapongagem. Fará jogo combinado com o governo.

Celina Leão (PSD) Integrante da oposição, foi única entre os indicados para compor a CPI que defendeu a instalação da comissão. Se as investigações prosseguirem, vai tentar mostrar as possíveis conexões entre as denúncias de bisbilhotagem e integrantes do governo.