Título: JBS doou R$ 3 milhões a Perillo
Autor: Mascarenhas, Gabriel
Fonte: Correio Braziliense, 12/05/2012, Política, p. 4
Apontado como o governador mais enrolado com as denúncias que estão sendo apuradas pela CPI do Cachoeira, Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, é nome certo na lista de doações da principal empresa que pertence à Holding J&F, que acaba de assumir as operações da Delta Construções. Em 2010, o JBS, frigorífico do grupo J&F, desembolsou R$ 3 milhões para a campanha do então candidato ao governo estadual goiano. Quatro anos antes, quando disputava uma vaga para o Senado, Perillo recebeu R$ 150 mil em doações da JBS.
A J&F confirmou ontem a aquisição da Delta, empresa suspeita de ter como sócio oculto o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que está preso. O ex-diretor da construtora no Centro-Oeste Cláudio Abreu também foi preso, depois de ser flagrado em escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal discutindo contratos e valores com Cachoeira. O bicheiro seria o principal elo de ligação entre a Delta e o governador de Goiás.
De acordo com a investigação da Polícia Federal, a construtora realizou diversos depósitos para empresas de fachada ligadas ao contraventor. Ainda segundo a PF, o contraventor, que está preso, mantém estreitas ligações com Perillo. Nas gravações feitas com autorização da Justiça, a PF constatou que ambos mantinham contato frequente. Além disso, um assessor de Perillo é acusado de ter recebido R$ 500 mil da quadrilha de Cachoeira.
Além de defenderem o comparecimento imediato de Perillo à CPI, parlamentares que integram a comissão criticaram duramente a realização do negócio firmado entre a Delta e a controladora do JBS, que tem como um de seus principais acionistas o BNDES, com 31% de participação no frigorífico. "Tudo indica que há relação entre esses dois fatos: o de a empresa, que tem dinheiro público envolvido, ter bancado a campanha de Perillo e, agora, ter comprado a Delta. A ida de Perillo à comissão nunca foi tão urgente", cobra o senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP).
Em nota divulgada pela assessoria de imprensa, o governador Marconi Perillo alegou que não há ilegalidades nas doações e que, à época da contribuição, o JBS não tinha qualquer vínculo com a construtora Delta.
Governador defende negociação de casa O governador de Goiás, Marconi Perillo, divulgou nota negando irregularidades na venda de uma casa particular. A residência foi comprada por um sobrinho do bicheiro Carlinhos Cachoeira, acusado de chefiar um esquema de exploração de jogos no estado. "A casa era patrimônio pessoal. Foi vendida rigorosamente dentro da lei e declarada no Imposto de Renda em uma transação que, absolutamente, nada tem a ver com a atividade pública do governador", diz a nota. A transação veio à tona em depoimento do delegado da Polícia Federal Matheus Mella Rodrigues à CPI do Cachoeira, na quinta-feira. A casa, localizada em um condomínio de Goiânia, foi paga com cheques que somavam R$ 1,4 milhão. Marconi disse que a negociação foi intermediada pelo ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez, apontado pela PF como uma espécie de "contato" da quadrilha de Cachoeira com o governo goiano.