Correio braziliense, n. 20161, 02/08/2018. Cidades, p. 17

 

Rollemberg mantém apoio a Ciro Gomes

Ana Viriato

02/08/2018

 

 

ELEIÇÕES 2018 » Apesar do acordo nacional entre PSB e PT, o governador do DF reforçará o palanque eleitoral do candidato do PDT à Presidência da República e oferecerá uma vaga ao Senado aos pedetistas. Convenção dos socialistas será no domingo

O acordo nacional firmado ontem entre PSB e PT, que impõe neutralidade dos socialistas no 1º turno, tem impacto direto na disputa pelo GDF. Pré-candidato à reeleição, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) trabalhou, por meses, para viabilizar o apoio da sigla ao presidenciável Ciro Gomes (PDT). Como contrapartida, ganharia o suporte de pedetistas de Brasília na campanha e mais 20 segundos de propaganda gratuita na tevê e no rádio por bloco. O novo arranjo político, no entanto, deixa mais distante a aliança desejada pelo chefe do Palácio do Buriti para a capital. Sem o acerto com o comando nacional do PDT, ele terá dificuldades para driblar a resistência de integrantes do partido no DF, que deixaram a base aliada em outubro.

Para ter validade, o acordo com os petistas precisa ser sacramentado na convenção do PSB nacional, agendada para o próximo domingo. Inicialmente, o PT deve agir para favorecer os socialistas em quatro estados. Um deles é Pernambuco, onde a sigla sacrificou a candidatura ao governo da vereadora Marília Arraes, em benefício da reeleição de Paulo Câmara (PSB). Em Minas Gerais, a exemplo de outras unidades da Federação, o acerto é inverso: Márcio Lacerda (PSB) desistirá da disputa para apoiar Fernando Pimentel (PT) na corrida por um novo mandato. O DF não entrou na mesa de negociação.

Lutando para ampliar a base de apoio, Rollemberg lamentou a possível neutralidade. “O PSB terá papel secundário nesta eleição presidencial, ou melhor, não terá papel nenhum”, afirmou. Para o socialista, no entanto, a conjuntura não inviabiliza a aliança com pedetistas na capital. Ao Correio, o governador adiantou que manterá o palanque eleitoral a Ciro Gomes e que voltará a oferecer uma vaga do Senado à sigla. “Aguardamos uma decisão do PDT”, disse. A convenção pedetista está marcada para sábado.

Nos últimos dias, Rollemberg havia recebido sinalizações positivas de Ciro e Carlos Lupi, presidente nacional do PDT. Em conversa com a reportagem, Lupi disse, na segunda-feira, que o socialista era “o melhor nome” para comandar a capital nos próximos quatro anos. Na terça-feira, o governador reuniu-se com dirigentes da legenda, em Brasília, e recebeu três exigências para a efetivação da coligação: o apoio nacional a Ciro, um espaço na chapa majoritária e a participação do partido na elaboração do plano de governo. Agora, resta ao PDT definir se, apesar do revés nacional, dará suporte aos candidatos a governos estaduais que, em meio à neutralidade, defenderem a candidatura do presidenciável pedetista.

Pré-candidato do PDT ao Buriti, o ex-distrital Peniel Pacheco afirmou que aguarda o posicionamento nacional da sigla para definir os rumos da campanha. “Como o PSB não deu a palavra final, aguardamos orientação do comando. Mas, caso seja confirmado no domingo, o acerto afasta uma eventual aliança e dá fôlego à nossa candidatura própria, que sempre foi o plano A”, pontuou.

Sem o PDT, Rollemberg fica estagnado em 48 segundos em cada bloco de 9 minutos de propaganda eleitoral, pois tem ao seu lado apenas PV e Rede. Com os pedetistas, o socialista chegaria a 1 minuto e oito segundos. A diferença não é expressiva. No entanto, na concepção do meio político, qualquer acréscimo de tempo de tevê e rádio vale ouro para o chefe do Buriti, que terá de se defender de críticas de cerca de 10 chapas de oposição, justificar atos da gestão e detalhar o programa de governo.

Influência nacional

Além do PDT, outras siglas aguardam sinalizações do comando nacional para se certificarem do futuro eleitoral. O deputado federal Izalci Lucas (PSDB) anunciou, na terça-feira, que disputará o Senado na chapa encabeçada por Alberto Fraga (DEM). Mas os rumos da candidatura do tucano podem mudar. Pelo menos duas coligações recorrem à Executiva nacional do PSDB para atrair a legenda, que dispõe do terceiro maior tempo de propaganda eleitoral.

Presidente regional do PTB e vice na coalizão de Eliana Pedrosa (Pros), o ex-distrital Alírio Neto pretende viajar a São Paulo para, ao lado do presidente nacional petebista, Roberto Jefferson, tentar convencer Geraldo Alckmin (PSDB) a direcionar o apoio do tucanato à sua chapa. O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, também pressiona Alckmin. Ele cobra o cumprimento do acordo nacional firmado pelos dois. Conforme o acerto, pessedistas o apoiariam na corrida pelo Palácio do Planalto em troca do suporte do PSDB a alguns candidatos a governos estaduais, como Rosso.

O comandante nacional do PP, Ciro Nogueira, deve bater o martelo sobre a coligação da qual o partido fará parte. Hoje, a sigla está ao lado de Ibaneis Rocha numa chapa com MDB e Avante. Mas integrantes da legenda também consideram compor com Alberto Fraga, deputado federal mais votado em 2014. O argumento é de que o democrata tem mais chances de vitória que o emedebista, uma vez que, numa campanha curta, ter o nome conhecido na capital torna-se uma grande vantagem. A terceira opção, considerada inviável por muitos, é unir os grupos. O assunto será discutido com Ciro hoje durante a convenção do PP.

Os trunfos dos partidos cortejados

A movimentação de três partidos, guiada pelos comandos nacionais, pode mudar os rumos de algumas chapas na capital. Entre as vantagens que as siglas podem oferecer, estão nomes de fôlego para candidaturas majoritárias e proporcionais ou tempo de propaganda na tevê e no rádio.

PP

Tempo de propaganda eleitoral: 36 segundos, a cada bloco de nove minutos

Candidata à majoritária: Anna Christina Kubitschek

Principais candidatos a deputados federais: Celina Leão e Olair Francisco

Data da convenção: hoje

Caminhos possíveis: permanecer na chapa encabeçada pelo advogado Ibaneis Rocha (MDB); migrar para a coalizão de Alberto Fraga (DEM); ou viabilizar a união entre os dois grupos políticos

PDT

Tempo de propaganda eleitoral: 20 segundos, a cada bloco de nove minutos

Candidatos à majoritária: Peniel Pacheco e Joe Valle

Principal candidato a deputado federal: Fábio Barcelos

Data da convenção: 4 de agosto

Caminhos possíveis: manter a candidatura de Peniel Pacheco ao GDF; migrar para a chapa do PT; firmar união com a chapa capitaneada por Rogério Rosso (PSD) e Cristovam Buarque (PPS); ou participar da chapa de Ibaneis Rocha (MDB)

PSDB

Tempo de propaganda eleitoral:

53 segundos, a cada bloco de nove minutos

Candidato à majoritária: Izalci Lucas

Candidatos a deputados federais: não há prioridade

Data da convenção: 5 de agosto

Caminhos possíveis: permanecer na chapa encabeçada pelo advogado Ibaneis Rocha (MDB); voltar para o grupo comandado por Rogério Rosso (PSD) e Cristovam Buarque (PPS); integrar a frente encabeçada por Eliana Pedrosa (Pros)

» Datas

5 de agosto

Último dia das convenções partidárias, quando as siglas definem candidaturas

 

15 de agosto

Fim do prazo para partidos políticos e coligações registrarem candidaturas

 

16 de agosto

Início da propaganda eleitoral

 

31 de agosto

Início da propaganda eleitoral no rádio e na tevê

 

7 de outubro

Primeiro turno das eleições

 

28 de outubro

Segundo turno das eleições