Título: O luxo da turma do Cachoeira
Autor: Correia, Karla; Jeronimo, Josie
Fonte: Correio Braziliense, 10/05/2012, Política, p. 3
OPERAÇÃO MONTE CARLO/ Entre os bens apreendidos pela Polícia Federal, existem 18 relógios que custam mais de R$ 20 mil cada
Os bens apreendidos durante as prisões feitas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro, revelam o estilo de vida extravagante dos principais líderes da quadrilha comandada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira. Irmão do contraventor e apontado pela PF como um importante laranja da organização criminosa, o empresário Marcos Antônio de Almeida Ramos tem uma queda especial por ostentar relógios de luxo – um hábito comum entre os integrantes do grupo criminoso.
De acordo com informações que constam do inquérito da operação, Marcos Antônio tinha um acervo imponente de 18 peças. Entre as estrelas da coleção, repleta de grifes de prestígio, como Gucci, Hugo Boss e Armani, brilham um Breitling, marca suíça conhecida por fabricar instrumentos para aviação, cujos relógios chegam facilmente ao valor de R$ 38 mil, e um italiano Bvlgari, com preço em torno de R$ 20 mil.
Também foram apreendidas joias de ouro, ouro branco e diamantes da joalheria Nemaro, uma das mais conhecidas do Miami Jewlery District, destino obrigatório de endinheirados que passam férias em Miami, na Flórida. Um dos 11 irmãos de Cachoeira, Marcos Antônio aparece no relatório da PF como um dos comandantes da máfia dos jogos no Centro-Oeste e testa de ferro do bicheiro. Os objetos apreendidos estão sob custódia judicial em uma agência da Caixa Econômica Federal em Goiânia e ficam organizados em envelopes lacrados pela PF.
Marcos Antônio não é o único aficcionado por relógios de luxo na quadrilha. Outro envelope que guarda os bens de um suspeito de envolvimento com a quadrilha contém um Rolex Submariner “em aço, com visor azul em pulseira em aço com detalhes dourados”, segundo o termo de recebimento da Caixa. Na Espaço Rolex Corsage, a única loja própria da marca no país, o modelo é vendido por R$ 29,8 mil. Um Bvlgari Calibro 303 em aço faz companhia ao Rolex. Mais “modesto”, o relógio italiano tem preço estimado em R$ 23 mil.
Propina Um dos principais operadores de Cachoeira, o empresário Rogério Diniz teve apreendidos para custódia judicial US$ 18,2 mil em dinheiro vivo. O assessor do bicheiro acabou tendo um papel de destaque na investigação da quadrilha do bicheiro.
Uma falha de Diniz facilitou a obtenção, pela PF, da autorização judicial para grampear Cachoeira e seus comparsas. O assessor do contraventor ofereceu propina a um delegado federal que conhecia dos tempos de escola. O delegado Tales Machado foi abordado por Diniz em uma boate de Goiânia. Recusou a oferta de remuneração mensal de R$ 15 mil e denunciou o movimento à PF. Diniz ainda se comunicou com Cachoeira usando um telefone do bicheiro que a polícia desconhecia. Era a pista que falta para a Polícia Federal desvendar a “máfia do Nextel”.
Alto preço Durante a ação de busca e apreensão da Operação Monte Carlo, policiais federais recolheram objetos caros entre os integrantes da quadrilha. Confira:
Um relógio Rolex Submariner em aço. É vendido por R$ 29.850;
Um relógio Bvlgari Calibro 303 em aço, com valor estimado em R$ 23 mil;
Um relógio Breitling, vendido por R$ 38 mil no mercado brasileiro.
Processo é aberto
ADRIANA CAITANO
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados iniciou ontem um processo para apurar se houve quebra de decoro na relação entre o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Gravações interceptadas pela Polícia Federal apontam conversas entre o parlamentar e o araponga Idalberto Matias Araújo, o Dadá, integrante do esquema do contraventor.
Na sessão, foram sorteados três integrantes para a relatoria do processo: Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Amauri Teixeira (PT-BA) e Jorge Corte Real (PTB-PE). Na próxima quarta-feira, o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), vai dizer qual deles será o responsável pelo caso. Definido o nome, ele terá de 10 a 15 dias para apresentar um parecer preliminar apontando se a representação do PSDB contra Protógenes é ou não admissível.
Se o escolhido definir que há indícios de quebra de decoro e os demais integrantes do Conselho de Ética concordarem, será iniciada uma investigação e Protógenes terá 10 dias para se defender. Segundo Protógenes, em seu depoimento à CPI do Cachoeira na última terça-feira, o delegado da PF Raul Marques, que chefiou a Operação Vegas, garantiu que a relação entre o deputado e Dadá é somente pessoal, não guardando qualquer ligação com o esquema de Cachoeira. Integrantes da CPI, no entanto, informaram que o delegado disse que existem indícios da aproximação de Protógenes com o ex-diretor da Delta Cláudio Abreu.