Correio braziliense, n. 20160, 01/08/2018. Política, p. 3
O vice de Alckmin
Rodolfo Costa
01/08/2018
O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, quer definir o vice até sexta-feira. A meta é chegar à convenção nacional do partido, no sábado, com o nome escolhido. O tucano confessou a correligionários o desejo de subir ao palanque com o segundo na chapa para mostrar uma imagem mais fortalecida que a do senador Aécio Neves (PSDB-MG), em 2014. Na convenção das últimas eleições, a legenda não havia definido o posto, ocupado posteriormente pelo atual ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes.
Para Alckmin, subir ao palco com o vice será importante para transmitir a ideia de uma candidatura forte que estará no segundo turno, sustenta o deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), primeiro líder da legenda na Câmara. “É algo que Geraldo externou a líderes. A demonstração de coesão que complementa a forte chapa e coligação que montamos”, destacou.
A escolha do vice será discutida em reunião marcada para hoje, em Brasília, entre Alckmin e caciques do Centrão, bloco formado por DEM, PP, PRB, PR e Solidariedade. No que depender do tucano, a definição sai ainda hoje. Mas as legendas querem avaliar bem as alternativas. A presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária no Congresso, deputada Tereza Cristina (DEM-MS), a senadora Ana Amélia (PP-RS) e o ex-ministro Aldo Rebelo (Solidariedade) são alguns dos nomes ventilados. Os dois últimos, no entanto, sinalizaram nos últimos dias que não estão dispostos para o cargo.
O nome deve vir do Centrão e terá o aval de Alckmin. A hipótese de uma chapa pura, ou seja, com um vice do PSDB, está descartada por líderes do blocão. A escolha de uma mulher ou um candidato do Nordeste está dentro dos critérios dos caciques. Independentemente disso, no entanto, Betinho Gomes sustenta que o nome analisado é de alguém que agregue uma liderança sobretudo no campo ético. “Não tem solução mágica para ter mais ou menos votos. Venha de onde vier, queremos alguém que passe confiança. Se for possível aliar a isso o aspecto regional e definir uma mulher, melhor. São variáveis interessantes”, ponderou.
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Meirelles em vantagem
01/08/2018
Os ataques do senador Renan Calheiros (MDB-AL) à pré-candidatura de Henrique Meirelles serão em vão. Governistas sustentam que terão votos de delegados suficientes para definir o ex-ministro da Fazenda como o postulante da legenda na convenção nacional do partido, que ocorre amanhã. Outros diretórios estaduais que sinalizavam alguma resistência, como do Paraná, liderado pelo senador Roberto Requião, e no Ceará, capitaneado pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira, não devem orientar votos contrários à chapa principal.
O cenário que se constrói internamente no MDB tende a deixar Calheiros isolado, sustenta o deputado Darcísio Perondi (RS), vice-líder do governo na Câmara. “Requião está quieto. Vai lançar candidatura a governador e conta com apoio do partido. Eunício está cuidando do Ceará em acordos eleitorais que o partido respeita, mas os delegados estaduais votarão conosco. Quanto mais Renan fala, mais campanhas conquistamos. Ele está isolado”, ponderou.
A retórica de Calheiros se sustenta na oposição a uma candidatura que, segundo ele, “rebaixa” o partido. “Vote não à candidatura do banqueiro Meirelles porque ele nos rebaixa, nos limita, até nos envergonha”, advertiu. (RC)