Correio braziliense, n. 20160, 01/08/2018. Cidades, p. 21

 

Fraga na disputa ao Buriti

Ana Maria Campos e Ana Viriato

01/08/2018

 

 

O deputado federal mais votado no último pleito concorrerá ao Executivo local pelo grupo do ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR) e do ex-governador José Roberto Arruda. Izalci Lucas, presidente regional do PSDB, tentará uma das vagas ao Senado Federal

Quando começaram as articulações pela corrida ao Palácio do Buriti, nomes ligados aos ex-governadores José Roberto Arruda (PR) e Joaquim Roriz (sem partido) estavam unidos em um só grupo e acumulavam um significativo espólio eleitoral. As negociatas e brigas de egos dos últimos meses, no entanto, dividiram a frente em quatro correntes. A última delas, lançada ontem. Sob a bênção do ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR) e graças à articulação de Arruda, o deputado federal Alberto Fraga (DEM) entrou na disputa pelo GDF. Ao lado do democrata, Izalci Lucas (PSDB) concorrerá ao Senado. Com a união sacramentada, nas próximas duas semanas, o grupo político vai correr contra o relógio em busca de aliados com nomes de fôlego para preencher as vagas majoritárias remanescentes e de ainda mais tempo de propaganda eleitoral na tevê e no rádio.

O lançamento da candidatura ocorreu em meio a tentativas de uma união entre DEM e PR, além do grupo formado por MDB, PP e Avante. Juntos por meses em torno do nome de Frejat, os partidos se separaram após a desistência do médico. Ex-vice-governador e presidente regional do MDB, Tadeu Filippelli havia escolhido o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no DF (OAB-DF) Ibaneis Rocha como pré-candidato ao GDF e ofereceu a Fraga o posto de senador. Deputado federal mais votado em 2014, o parlamentar não aceitou a oferta por acreditar que detém mais chances de vitória. Guiado por Arruda, formalizou um novo grupo.

Agora, a frente formada por PR, DEM e PSDB tentará convencer parte dos antigos aliados a mudar de lado. O primeiro deles é o PP. Como a sigla é presidida no DF pelo deputado federal Rôney Nemer, amigo pessoal de Filippelli, a costura deve ocorrer por cima. Articuladores pretendem procurar o comandante nacional da legenda, Ciro Nogueira, para conquistar o apoio. Como argumento, dirão que, ao lado do MDB e Avante, o PP não conseguirá eleger deputados federais. Caso haja acordo, a Vice-Governadoria ficará com a coalização. O nome cotado para assumir o posto é o de Anna Christina Kubitschek, mulher do empresário Paulo Octávio e neta de Juscelino Kubitschek.

Impasse com MDB

Com o MDB, porém, a aliança pode enfrentar percalços. “Dizem que, em política, devemos ciscar para dentro. Mas não sei se, dessa vez, vale a pena”, disse Fraga. O deputado federal relembrou que as conversas com os emedebistas não foram produtivas. “As pessoas acham que dinheiro compra tudo. Tem gente que não sabe o que é uma urna, mas acha que voto cai de árvore. Fizeram o jogo sem combinar com os russos e deu no que deu”, pontuou, referindo-se a Ibaneis Rocha. E completou: “Se DEM e PR tivessem sido excluídos do jogo com base em critérios, eu aceitaria, como o fiz quando recuei para apoiar Frejat. Mas, por dinheiro, não”.

Ao Correio, após receber a notícia de que Fraga havia entrado no páreo, Filippelli garantiu que a candidatura de Ibaneis é “irreversível”. O partido do ex-vice-governador detém o segundo maior tempo de propaganda eleitoral na tevê e no rádio, com cerca de 1 minuto e 3 segundos a cada um dos dois blocos de nove minutos, transmitidos às segundas, quartas e sextas-feiras. A legenda também está entre as que dispõem de mais recursos de financiamento de campanha.

 

Pré-moldadas

As chapas de centro-direita encabeçadas pela ex-distrital Eliana Pedrosa (Pros) e pelo deputado federal Rogério Rosso (PSD) também acertam os detalhes finais. Com Alírio Neto (PTB) como vice, Eliana busca fechar a composição das vagas ao Senado. Alguns nomes consultam lideranças nacionais para receber o aval e anunciar a aliança.

Rosso está com a chapa pré-moldada. O vice dele será o pastor Egmar Tavares (PRB). Ao Senado, concorrerão Cristovam Buarque (PPS) e o empresário Fernando Marques (Solidariedade). Mas o deputado federal ainda tenta atrair novos aliados. O Podemos fechou a indicação ao nome dele na última segunda-feira. “O apoio foi aprovado por unanimidade. O nosso partido lançará as candidaturas proporcionais e um nome independente ao Senado, o da servidora da Saúde Natália Mazzoli. Pela lei, ela terá direito apenas ao tempo de tevê e rádio do Podemos. Também pleiteamos uma segunda suplência do Senado”, explicou o presidente regional da sigla, Marcos Pacco. Em busca da aproximação com outros partidos, Cristovam reuniu-se, ontem, com dirigentes do PCdoB e do PPL.