Título: Vale US$ 104 bilhões
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Fonte: Correio Braziliense, 19/05/2012, Economia, p. 13

A euforia em torno do lançamento das ações da rede social Facebook trouxe na lembrança de analistas experientes o temor de uma nova bolha, como a de 2000, que varreu fortunas mundo afora. Ontem, o valor de mercado do Facebook chegou a US$ 104 bilhões. Com isso, a empresa virtual de Mark Zuckerberg ultrapassou gigantes como Abbott, Visa e McDonald"s, a maior rede de fast food do planeta, que vende 190 hambúrgueres por segundo.

Em seu blog, Jeff Corbin, da KCSA Strategic Communications, consultoria focada em investimentos virtuais, escreveu: “Lembram-se do ano 2000? Eu me lembro. Mas, aparentemente, os banqueiros e gerentes de carteira que estão na casa dos 30 anos de idade não se lembram. E por que deveriam? Em 2000, eles nem haviam terminado a faculdade.” Na opinião de Corbin, os investidores compram ações do Facebook a preços que carregam um prêmio “enorme” em relação ao valor real da empresa.

“Estamos sob pressão após essa estreia (Facebook) não tão espetacular, que não está impulsionando o mercado como alguns haviam especulado”, disse o diretor de vendas e de negociações do LEK Securities, Frank Davis. A crise europeia contribuiu para ofuscar a festa, num dia em que as ações de outras empresas do setor fecharam em baixa, como LinkedIn (-2,35%), Groupon (-5,21%) e Zynga (-7,49%).

No ápice da bolha em 2000, o site de vendas de livros pela internet Amazon, hoje com valor de mercado de US$ 100 bilhões, chegou a valer mais que gigantes como o Wal-Mart. Até aqui, o mercado tem convivido com o valor de mercado do Google em US$ 200 bilhões, bem acima de GE, Procter & Gamble, Coca-Cola, Johnson & Johnson’s, Chevron e Intel. Corbin considera o quadro insustentável.