Título: Bovespa interrompe queda
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Fonte: Correio Braziliense, 19/05/2012, Economia, p. 17
Depois de oito pregões em baixa, bolsa brasileira sobe 0,88%, mas indicador no acumulado da semana é o pior desde agosto de 2011
O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa-BM&F) interrompeu ontem uma trajetória de queda nos últimos oito pregões, fechando com alta de 0,88%, a 54.513 pontos, por conta da valorização de ações da Petrobras e da Vale. O percentual, porém, foi insuficiente para reverter a queda acumulada na semana, de 8,29%, o pior indicador desde a primeira semana de agosto de 2011, quando os Estados Unidos tiveram seu rating rebaixado.
“Hoje tivemos um dia de ajuste técnico, em vista de todas as quedas nas últimas sessões”, disse Bruno Martins, operador no Daycoval. “O pregão foi bem complexo, com gente buscando barganhas e outros realizando lucro de vendas a descoberto. Mas o mercado continua muito ruim, com todas as incertezas na Grécia e na Zona do Euro”, disse Martins. “O mercado ainda está perdido em relação aos possíveis desdobramentos da Grécia e isso ainda vai continuar pesando na próxima semana”, confirmou Paulo Esteves, analista-chefe na Gradual Corretora.
Leilão Após o dólar subir e chegar a ter valorização de quase 4% ante o real na semana, o Banco Central (BC) ofereceu ao mercado o equivalente a US$ 5,6 bilhões em contratos de swap cambial tradicionais, que funcionam como uma venda futura de dólares. Com isso, a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 2,020.
As bolsas europeias voltaram a fechar no vermelho face às indefinições na Grécia e a crise bancária na Espanha, onde instituições como o Bankia precisaram de recursos do governo — hoje dono de 45% do capital do banco — para cobrir rombo de aquisições no mercado imobiliário. O rebaixamento de bancos espanhóis por agências de classificação de risco, porém, não tiveram efeito no apetite de investidores por ações do Santander e do BNP Paribas.
Expectativas O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações europeias, fechou em queda de 1,18%, aos 969 pontos, seu menor nível no encerramento desde dezembro. As bolsas de Londres (-1,33%), Frankfurt (-0,60%), Paris (-0,13%) e Madri (-0,44%).
As expectativas em relação ao encontro do G-8, o grupo dos países ricos do mundo e os sinais vindos do presidente norte-americano Barack Obama, anfitrião do encontro, trouxeram alento aos mercados, ainda que a preocupação persista e os investidores continuem a demonstrar aversão a riscos.
Na Ásia, o movimento também foi de baixa, enquanto que nos Estados Unidos nem o festivo lançamento de ações pela rede social Facebook foi suficiente para levar ânimo ao mercado, de olho no desenrolar da crise europeia e na lenta recuperação dos indicadores de produção e emprego.