Título: PMDB tem 41 a favor do texto
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Fonte: Correio Braziliense, 20/05/2012, Política, p. 3

Atento ao efeito que cada movimento possa ter em sua campanha à presidência da Câmara, no próximo ano, o líder do PMDB na Casa, Henrique Eduardo Alves (RN), encomendou uma pesquisa interna para saber o que cada parlamentar de seu partido pensa a respeito do fim da regalia. O resultado deve ser apresentado a Henrique amanhã, antes da reunião que a bancada realiza toda terça-feira para discutir a pauta de votações da Câmara.

Apesar de se declarar favorável à extinção da benesse, o líder reforça que não tentará impor um posicionamento único ao partido e os deputados terão a liberdade de votar como acharem melhor. "Nesse assunto, achamos melhor que cada um avalie e vote como preferir", disse. Dos 78 deputados da bancada que estão em exercício, 48 atenderam à reportagem e, desses, 41 se declararam favoráveis ao fim do 14º e 15º salários. Apenas sete preferiram não divulgar a opinião.

O posicionamento unificado das bancadas poderá definir o destino do projeto na Casa. Está sob responsabilidade da Câmara não apenas o pagamento do benefício aos congressistas, mas também a possibilidade do efeito cascata que essa decisão poderá gerar nas Assembleias Legislativas estaduais e nas Câmaras de Vereadores em todo o país.

Costa, do PTB: %u201CQuem vota a favor deveria devolver o que já recebeu%u201D

O PT aparece no levantamento realizado pelo Correio como a legenda mais apegada à mordomia do 14º e do 15º salários pagos todo ano aos parlamentares. Dos seis deputados que se posicionaram como contrários à extinção da benesse, quatro pertencem à bancada petista, que se reúne nesta semana para unificar a posição da legenda sobre o projeto que acaba com o privilégio. Em seu segundo mandato de deputado federal, Edson Santos (PT-RJ) é um dos mais enfáticos ao defender a manutenção da benesse. "Tive cinco mandatos de vereador, passei o pão que o diabo amassou. Agora, querem tirar o que os deputados têm. Chega de tirar as coisas dos deputados", critica o parlamentar.

À espera de uma decisão conjunta, o PT aparece também como a bancada com maior número de deputados "em cima do muro". Dos 85 deputados da sigla, 56 responderam à reportagem. Desse universo, 14 se esquivaram de dar uma opinião definitiva, alegando não ter pensado no assunto ou aguardar para seguir a orientação do partido. Entre eles está o próprio líder do partido Jilmar Tatto (SP), que tem evitado o assunto, mas nos bastidores se posiciona claramente contra a extinção do benefício.

O DEM é outra legenda que deve definir uma posição sobre o tema nos próximos dias.

Bancada do DF O envolvimento da sociedade no debate pela extinção dos salários extras influenciou parlamentares do Distrito Federal. Independentemente de partido, os oito deputados se declararam favoráveis ao fim do pagamento. "Está na hora de o Congresso dar uma resposta ao pensamento da população", diz Erika Kokay (PT), que abriu mão do benefício, assim como Reguffe (PDT), Pitiman (PMDB), Augusto Carvalho (PPS), Izalci (PR) e Policarpo (PT).