Correio braziliense, n. 20217, 27/09/2018. Cidades, p. 21
Eixo Capital
Ana Maria Campos
27/09/2018
Para quem vão os votos dos adversários?
O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) passou a adotar um estilo mais agressivo na reta final da campanha. Nesta semana, ele reforçou o discurso contra a volta ao passado. Resta saber se o desgaste dos demais concorrentes pode se reverter em votos para a sua própria candidatura. A pesquisa do instituto Opinião Política, encomendada pelo Correio, mediu o segundo voto dos eleitores. A indicação é de que a maioria dos eleitores procura uma candidatura com perfil semelhante ao do primeiro voto. Assim, 29% dos votos de Alberto Fraga (DEM) migrariam para Eliana Pedrosa (Pros), caso ele se retirasse da disputa, 22% iriam para Ibaneis Rocha (MDB) e 18% para Rogério Rosso (PSD). Se Eliana não for para o segundo turno, seus eleitores seriam distribuídos da seguinte forma: 20% para Fraga, 16% para Ibaneis, 14% para Rosso e 11% para Rollemberg. No caso de Rosso, seria assim: 24% iriam para Ibaneis, 21% para Eliana e 20% para Fraga. Rollemberg herdaria 13%. Os votos de Ibaneis são repassados da seguinte forma: 26% para Eliana, 20% para Fraga, 17% para Rosso e apenas 5% para Rollemberg.
A divisão do bolo
A principal beneficiária dos votos de Rodrigo Rollemberg (PSB) seria a adversária Eliana Pedrosa (Pros), que herdaria 22% dos eleitores. Rogério Rosso (PSD), que já foi aliado do governo, receberia 15%. Ibaneis Rocha (MDB) ficaria com 12% do espólio do governador. Tem até eleitor que optaria por Alberto Fraga (DEM), um dos mais críticos do atual governo: 8% dos votos de Rollemberg iriam para o candidato do DEM, segundo a pesquisa do Instituto Opinião Política.
Fraga e Arruda em campanha
O ex-governador José Roberto Arruda (PR) foi às ruas ontem pedir votos para seus candidatos: Alberto Fraga (DEM), Izalci Lucas (PSDB) e Flávia Arruda (PR). Em discurso, reclamou da divulgação das decisões judiciais desta semana. Arruda foi condenado pelo juiz Newton Aragão, da 7ª Vara Criminal de Brasília, e Fraga pelo juiz Fábio Esteves, Vara Criminal e Tribunal do Júri do Núcleo Bandeirante, e presidente da Associação dos Magistrados do DF (Amagis).
Família espera um milagre
Amigos e familiares estavam apreensivos ontem com a notícia de que o tratamento a Joaquim Roriz não tem surtido efeito. Ele teve um infarto e foi submetido a uma traqueostomia. Respirava com a ajuda de aparelhos. Nem mesmo a hemodiálise tem surtido efeito. Agora é esperar por um milagre.
Pesquisa desagrada candidatos
Ninguém gostou do resultado da pesquisa do instituto Opinião Política divulgada ontem pelo Correio. Todos acharam que apareceriam em melhor situação, inclusive o candidato Ibaneis Rocha (MDB) que cresceu e quase alcançou a líder na corrida eleitoral, Eliana Pedrosa (Pros). O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) avaliou que o cenário é diferente depois da condenação de Alberto Fraga por cobrar propina a cooperativas de transporte e o candidato do DEM criticou a divulgação da sentença. Rogério Rosso (PSD) disse que não acredita em pesquisas. Todos apostam na vitória. Mas só cabem dois no segundo turno.
Solidariedade
Em encontro com o adversário Chico Leite (Rede), o senador Cristovam Buarque (PPS) reclamou muito dos ataques que vêm sofrendo do petista Marcelo Neves que, como os dois, concorre a um mandato ao Senado. “São mentiras. A mentira é a porta da corrupção”, reclamou Cristovam. Chico Leite concordou.
Contra violência à mulher
Candidata ao Senado, Leila do Vôlei (PSB) disse, em sabatina ao Correio, realizada na última segunda-feira, ser contra abortos em qualquer situação. Mas ontem ela esclareceu sua posição sobre o tema: “Casos previstos em lei devem ser respeitados, como vítimas de estupro. Me solidarizo com as vítimas de agressões e me comprometo a lutar pelo fim de toda forma de violência”. Ela ressaltou que uma de suas prioridades está a revisão da Lei Maria da Penha, que, segundo a ex-secretária de Turismo e Esporte, precisa de medidas protetivas mais eficazes.
Com quem vai Reguffe?
Muita gente espera uma posição oficial do senador José Antônio Reguffe (Sem partido/DF) sobre a disputa ao Palácio do Buriti. Dono de um patrimônio de 826.526 votos na última eleição, ele ainda não declarou voto em nenhum candidato ao governo.