Correio braziliense, n. 20205, 15/09/2018. Política, p. 4
Olho no voto dos brasilienses
Gabriela Vinhal, Hamilton Ferrari e Murilo Fagundes
15/09/2018
Em dificuldades na corrida pelo Palácio do Planalto, Marina Silva e Henrique Meirelles fizeram campanha no DE Oro Gomes esteve em Porto Velho, e Geraldo Alckmin foi em busca de eleitores no Rio Grande do Norte
Diferentemente do que vinha ocorrendo, os presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto tiraram São Paulo da mira e optaram por visitar outras regiões do país, ontem. A capital federal recebeu Marina Silva, da Rede, e Henrique Meirelles, do MDB. O pedetista Ciro Gomes esteve em Rondônia; Fernando Haddad, do PT, no Rio de Janeiro; e o tucano Geraldo Alckmin, no Rio Grande do Norte. O postulante do PSL, Jair Bolsonaro, continua internado na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, em condições clínicas estáveis.
No DF, Marina Silva fez uma caminhada no Taguacenter, zona comercial de Taguatinga. Ela também se reuniu com o comandante da Marinha, almirante de esquadra Ilques Barbosa Júnior. No encontro, conversaram sobre questões ambientais relacionadas às bacias hidrográficas. A presidenciável também comentou a declaração do vice de Bolsonaro, Hamilton Mourão (PRTB), que sugeriu a criação de uma nova Constituição Federal elaborada por “notáveis” e não por “eleitos pelo povo”. “O poder que emana do povo é tutelado única e exclusivamente pela Constituição, qualquer coisa fora disso é inaceitável. (Não pode ocorrer) Nem por saudosismos autoritários, nem por qualquer outra coisa”, afirmou Marina.
Já Meirelles, que beira os 3% nos levantamentos, visitou o Centro Universitário de Brasília (UniCeub), onde tratou de políticas de ensino para o país. Ele respondeu a perguntas de estudantes do curso de direito e conheceu a biblioteca e a exposição “Museu de Geociência”. O candidato afirmou que é favorável às cotas estudantis e que pretende ampliar o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). “Nós temos de manter as cotas, mas sempre com atenção muito grande ao aprendizado. Uma vez na universidade, no ensino médio ou básico, o estudante tem de se comprometer com a qualidade. O direito básico é de o estudante aprender e não só passar de ano ou passar na faculdade”, afirmou.
No Rio Grande do Norte, Geraldo Alckmin reafirmou sua posição favorável em relação ao impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff. O candidato tem atacado tanto os rivais à direita, no caso de Bolsonaro, quanto à esquerda, em relação a Lula e, agora, a Haddad. Como tática para superar a estagnação nas pesquisas, ele lembrou que Temer se tornou presidente por causa do PT. E completou: “Quem escolheu o Temer foi o PT, não fomos nós”. O médico e ex-governador de São Paulo visitou o maior hospital de tratamento contra o câncer no estado, com as lideranças regionais, e depois seguiu para uma fábrica do empresário e ex-candidato à Presidência Flávio Rocha.
Ataque
Desde que as pesquisas de intenção de voto mostraram o crescimento de Ciro Gomes e a possível ida do candidato ao segundo turno, o presidenciável passou a confrontar, com mais veemência, o oponente petista, recém-oficializado pelo partido como cabeça de chapa. Em visita à região central de Porto Velho, Ciro disse não ter “nenhum arrependimento de ter sido ministro do primeiro mandato de Lula” e afirmou que recuou quando viu que “as contradições começaram a acontecer”. Mais uma vez, chamou Haddad de “inexperiente”. Essa, aliás, tem sido uma estratégia do candidato que tenta, pela terceira vez, ser presidente do Brasil: apontar falhas do oponente petista e do partido, mas maneirar o tom em relação ao ex-presidente Lula.
*Estagiário sob a supervisão de Cida Barbosa
“O direito básico é de o estudante aprender e não só passar de ano ou passar na faculdade”
Henrique Meirelles, presidenciável
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Bolsonaro e Haddad crescem
Rodolfo Costa
15/09/2018
Pesquisa Datafolha, divulgada ontem, mostra crescimento de Jair Bolsonaro (PSL) nas intenções de voto. Ele passou de 24% para 26%, em relação ao levantamento de segunda-feira. Embora tenha avançado dentro da margem de erro da pesquisa, de 2 pontos — para mais ou para menos —, ele se consolida e está com um pé no segundo turno.
Fernando Haddad (PT) também cresceu, de 9% para 13%. Ciro Gomes (PDT), por sua vez, manteve os 13% da última pesquisa. Até então, os levantamentos mostravam um crescimento do pedetista. Geraldo Alckmin (PSDB) está com 9% — na pesquisa anterior, tinha 10% —, e Marina Silva (Rede) segue em queda: tinha 11% e agora aparece com 8%, em quinto lugar na corrida eleitoral.
João Amoedo (Novo), Henrique Meirelles (MDB) e Alvaro Dias (Podemos) permaneceram estagnados, com 3%. Os votos nulos ou brancos voltaram a cair, de 15% para 13%. O atentado a Bolsonaro em Juiz de Fora (MG) teve pouca influência na evolução na pesquisa. Apenas 2% dos eleitores afirmam ter mudado o voto após o ataque.
Num segundo turno, Bolsonaro fica atrás de Ciro (45% x 38%), de Marina (43% x 39%) e de Alckmin (41% x 37%). No caso de Haddad, o placar é de 41% x 40% para Bolsonaro.
Haddad, por sinal, atribuiu a recessão de 2015 e 2016, provocada pela política econômica desastrada de Dilma Rousseff, a uma “sabotagem” provocada por partidos adversários. Em sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo, ele desqualificou as investigações contra a ex-presidente Dilma Rousseff e as denúncias e prisões de correligionários. Evasivo, não explicou como pretende cumprir as promessas de governo e por que merece ser presidente da República.
A aposta de Haddad em convencer os eleitores foi pautada na narrativa petista construída até o momento, de associação da imagem dele à do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato destacou os 12 anos de “normalidade democrática” em alusão às duas gestões de Lula e a primeira de Dilma.