Correio braziliense, n. 20205, 15/09/2018. Cidades, p. 18
Orçamento reforçado em R$ 2,2 bi
Ana Viriato e Bruna Lima
15/09/2018
O Executivo local estimou em R$ 42 bilhões o orçamento do Distrito Federal para 2019. O valor consta no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado, ontem, à Câmara Legislativa. O montante é R$ 2,2 bilhões superior à previsão descrita na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), uma espécie de esboço da atual proposta. Com o crescimento na projeção da receita, o Palácio do Buriti ampliou a destinação de recursos para investimentos — saltou de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,6 bilhão. A apreciação da proposta deve ocorrer até o fim do ano.
A verba será usada em obras, como a reforma do Teatro Nacional Cláudio Santoro, fechado desde 2014, e do Arquivo Nacional. Há também a previsão de construção de creches, escolas técnicas, além da ampliação de unidades especializadas em saúde e em cirurgias e do centro oncológico de Brasília. Obras viárias, como a ampliação da linha 1 do Metrô e a execução de projetos de urbanização no Condomínio Sol Nascente, em Ceilândia, estão incluídas na reserva.
Integram o orçamento R$ 26,3 bilhões do Tesouro, R$ 1,5 bilhão de estatais e R$ 14,2 bilhões do Fundo Constitucional do DF — a estimativa de recursos desse último caixa, abastecido pela União, subiu mais de R$ 223 milhões em relação à verba prevista na LDO. O dinheiro do fundo é usado para pagar investimentos e salários dos servidores da segurança pública, além de parte dos vencimentos da saúde e da educação. Quase 90% do montante destina-se ao pagamento de pessoal.
Dos R$ 42 bilhões, estima-se o uso de R$ 200 milhões ao pagamento de reajustes. O valor será destinado à quitação da terceira parcela do incremento concedido na gestão de Agnelo Queiroz (PT) a 32 categorias, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheça a legalidade do aumento e a receita se concretize. “Atendidos esses critérios, realizaríamos a incorporação de forma consciente, de acordo com o espaço fiscal, limitado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a previsão de recursos”, disse o secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão, Renato Brown.
Outros R$ 282 milhões estão reservados a nomeações decorrentes de concursos públicos. Em agosto, o GDF precisou vetar a maior parte da lista de certames incorporada pela Câmara Legislativa à LDO por meio de emendas parlamentares. À época, o projeto chegou à Casa com previsão de 3.143 novas vagas, em 30 concursos, e saiu com 21.172 — número 574% superior à estimativa inicial. Em novembro, o Buriti vai recompor o quadro de cargos disponíveis, levando em consideração o quantitativo inicial.
Gastos
O maior gasto dos cofres públicos será com despesas de pessoal e encargos sociais: o montante orçamentário previsto no projeto para essa finalidade é de R$ 15,2 bilhões provenientes do Tesouro. Além disso, há o desembolso com o funcionalismo pago pelo Fundo Constitucional, estimado em cerca de R$ 12,6 bilhões.
Estimou-se para custeio R$ 7,7 bilhões, sem incluir a parte executada pela União via Fundo Constitucional para essa finalidade. O valor será aplicado, por exemplo, a gastos com a merenda escolar, o Passe Livre Estudantil e para a Pessoa com Deficiência e contratos de manutenção de escolas e hospitais.