Título: BC libera R$ 18 bi a bancos
Autor: Martins , Victor
Fonte: Correio Braziliense, 22/05/2012, Economia, p. 10

O Banco Central (BC) liberou R$ 18 bilhões dos depósitos compulsórios para que instituições financeiras possam aumentar o ritmo de concessão de financiamento de veículos novos e usados e reduzir juros aos consumidores. O montante é equivalente a 10% de todo o crédito concedido pelo segmento. A nova regra vale a partir de hoje. Segundo o Banco Central, a medida tem como objetivo criar melhores condições para as operações do segmento sem com isso comprometer a segurança. Desde o início do ano, representantes do setor têm se queixado ao governo das vendas e de escassez de recursos para financiar veículos novos.

Medidas

O presidente do BC, Alexandre Tombini, defendeu ontem as “reformas” promovidas pelo governo Dilma Rousseff, durante evento do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo, pouco antes de anunciar a liberação dos compulsórios para veículos. Ele avaliou como positivas as alterações na poupança e a briga do Palácio do Planalto por juros menores. Em seu discurso, preparou o terreno para as medidas de estímulo ao crédito que foram anunciadas no fim do dia.

Tombini disse ainda que a atividade econômica vai se acelerar ao longo deste ano e destacou que o Brasil está com um nível adequado de depósitos compulsórios (cerca de R$ 400 bilhões). Para ele, esses depósitos que as instituições guardam no BC, que nada mais são do que um percentual do que clientes colocam nos bancos, são parte da defesa do país em momentos de escassez de dinheiro e de crédito no mundo.

A presidente Dilma, durante inauguração de uma ponte em Santa Catarina, também falou sobre crise e as armas do governo para superar as turbulências. “Nós não precisamos encostar um tostão do orçamento para expandir crédito. Nós temos no BC R$ 400 bilhões a título de depósito que os bancos são obrigados a colocar no BC como garantia do sistema financeiro público e privado. Portanto, temos R$ 400 bilhões pra enfrentar qualquer emergência de crédito”, disse a presidente. “Posso assegurar: nós estamos 100%, 200%, 300% preparados”, garantiu Dilma quanto ao enfrentamento da crise financeira.

Preocupação

Os discursos governamentais evidenciaram mais uma vez a preocupação da equipe econômica e de Dilma com o crescimento do país neste ano e nos próximos anos. “A economia brasileira vai continuar seguindo uma trajetória de crescimento”, frisou Tombini, que disse esperar um crescimento maior em 2013 do que neste ano. A recuperação da atividade econômica, segundo técnicos do governo, está mais lenta do que o esperado. Essa fraqueza, somada as incertezas internacionais, tem feito inclusive o ministro da Fazenda, Guido Mantega, esquivar-se quando o assunto é previsão para o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas do país), mesmo com uma meta extraoficial de 4,5% de expansão.

Toda essa preocupação tem mobilizado o governo. Não à toa, ontem, na divulgação do novo pacote de estímulo à economia, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, participaram do anúncio. Banqueiros do setor privado e presidentes dos bancos públicos também vieram a Brasília para debater a medida. Na política monetária, o fantasma da inflação é o que ameaça a estratégia de expansão do governo.

Inflação

Na visão de especialistas e de técnicos do governo, a crise internacional, até então, facilitava o trabalho do BC e, como o próprio Tombini ponderou em discursos e apresentações, os problemas na Europa tinham efeito desinflacionario sobre o Brasil. Essa ajuda, porém, parece estar se reduzindo. “Ninguém tem bola de cristal para saber o que vai acontecer, mas estamos mais fortes do que estávamos em 2008. Temos que avaliar a evolução da economia nos próximos dias”, afirmou o presidente do BC.