Título: Tragédia anunciada
Autor: Fren, Carlos
Fonte: Correio Braziliense, 24/05/2012, Economia, p. 14
A situação da Grécia é dramática e não precisava ter chegado a ponto de comprometer todos os países da Zona do Euro e arrastar os emergentes e até os mais ricos para uma fase sombria. A afirmação é da economista Eliana Cardoso, professora visitante das mais renomadas universidades norte-americanas como Yale, Harvard e MIT e que foi economista- chefe do Banco Mundial (Bird) para a Ásia.
Eliana disse ao Correio que, desde o acordo com a Grécia, em março, de medidas de austeridade em troca do resgate de títulos da dívida soberana e o repasse capaz de conter uma crise bancária, estava claro que o país não conseguiria honrar compromissos. O que, relembra, foi validado pelas eleições que o jogaram numa encruzilhada—o resultado do pleito em 6 de maio não permitiu a formação de governo e novas eleições estão previstas para 17 de junho. "É claro que a saída da Grécia trará custos para a região, de incalculáveis bilhões de euros, sem contabilizar a credibilidade do bloco, mas parece ser esse um caminho sem volta."
Fracasso
A economista avalia que o fracasso das tentativas da diretora- gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e da primeira-ministra alemã, Angela Merkel, é decorrente da ausência de uma única autoridade fiscal na Zona do Euro. “Existe uma moeda comum, mas não uma autoridade fiscal comum, então fica difícil convencer alemães, ingleses e franceses de que o custo do socorro ao país vizinho depende de seu esforço”, explica.
A economista observa também que é preciso ter consciência da mudança de cenário em face ao endividamento da população mundial, decorrente das facilidades de crédito nos últimos dois, três anos até que a bolha imobiliária americana explodiu e os bancos ficaram mais restritivos e muitos deles hoje estão em dificuldade. “Não basta o crédito. É preciso que a produção cresça paralelamente e isso não se consegue do dia para a noite. É essa longa noite de crise que o mundo atravessa.” Eliana não critica medidas de estímulo ao consumo interno ou externo, mas acha que essas medidas extremas nem sempre têm o resultado desejado. (CF)