Título: Estratégia PT-PMDB
Autor: Jeronimo, Josie
Fonte: Correio Braziliense, 25/05/2012, Política, p. 2
PT e PMDB pretendem se unir para isolar o PSDB na CPI do Cachoeira e forçar a convocação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), antes dos demais governadores, Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral Filho (PMDB-RJ). Os dois partidos pretendem utilizar a maioria que têm na comissão para expor o governador tucano. “Por tudo que apareceu até o momento, é inexorável a convocação do Perillo. Ela será feita na próxima terça. Os outros dois poderão esperar mais tempo para vir”, disse ao Correio um petista que integra a CPI.
A estratégia dos dois maiores partidos na CPI foi acertada ontem. O PMDB estava incomodado com a disposição de alguns petistas de convocar o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (RJ), e ameaçava não aprovar a convocação de Perillo. “Não aceitamos que o Cabral seja usado como moeda de troca”, ameaçou o deputado Eduardo Cunha (RJ), vice-líder do PMDB na Câmara. Os petistas entenderam o recado e firmaram a parceria.
Durante a sessão de ontem, a polarização PT-PSDB atingiu um grau ainda não visto desde que os trabalhos da CPI tiveram início. O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) atacou veementemente o relator Odair Cunha (PT-MG), reclamando que, durante o depoimento do ex-vereador Wladimir Garcez, 19 das 20 perguntas questionavam o envolvimento de Perillo com o contraventor (leia matéria abaixo). “O senhor não está agindo como um magistrado. É uma atitude mesquinha de quem passa a impressão nefasta de que pretende defender o governo”, criticou Sampaio.
Odair Cunha disse que estava agindo com isenção e que as perguntas foram motivadas pelo fato de Garcez ser filiado ao PSDB e ter uma estreita relação com o governador goiano. “Nos meus questionamentos anteriores não houve reclamação. Quando surge alguém ligado à oposição colocam em dúvida minhas indagações. Não é culpa minha ele (Garcez) ser filiado ao PSDB.”