Título: Grécia segue sem saída
Autor: Franco, Carlos
Fonte: Correio Braziliense, 27/05/2012, Economia, p. 15

Os líderes da França, Alemanha, Espanha e Itália se reunirão em 22 de junho em Roma para discutir a crise na Zona do Euro, informou ontem o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, em entrevista ao jornal francês Le Figaro. Angela Merkel, primeira-ministra alemã, não parece entusiasmada com a ideia, segundo o diário. A intenção de Monti é esclarecer posições antes da cúpula da União Europeia, prevista para 28 e 29 de junho, após os pleitos na Grécia e na França. O presidente francês, François Hollande, espera conquistar maioria no Parlamento.

Ontem, um ministro do gabinete de Merkel abandonou o tom diplomático e resvalou para o perigoso terreno da grosseria. O ministro do Interior da Alemanha, Hans-Peter Friedrich, afirmou ao jornal Leipziger Volkszeitung que a Alemanha "não vai despejar dinheiro num poço sem fundo" e a paciência com a Grécia está diminuindo antes de uma nova eleição no país do Mediterrâneo.

"Qualquer um que quiser ver ajuda e solidariedade de nós tem que aceitar que nós esperamos desse país uma certa quantidade de seriedade e uma certa quantidade de razoabilidade", afirmou. Friedrich, que tem sido um linha-dura no gabinete de Merkel sobre a Grécia, foi o primeiro ministro alemão a pedir abertamente em fevereiro que esse país deixasse a Zona do Euro. Agora, pelo jornal reabre ferida a qual a primeira-ministra havia jogado panos quentes. Isso porque, antes de Friedrich, o ministro das Finanças, Wolfgang Schaeuble, também chamou a Grécia de "um poço sem fundo", mas deixou de usar o termo depois de ter se tornado um vilão em Atenas.

A Grécia foi obrigada a convocar uma nova eleição para 17 de junho, depois que a votação em 6 de maio deixou o Parlamento dividido entre partidos que apoiam e que se opõem às condições de austeridade associadas ao pacote de resgate de 130 bilhões de euros, acertado com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) em março. Partidos anti-resgate devem repetir seu forte desempenho, segundo mostram as pesquisas de opinião, aumentando o risco de a Grécia renegar suas promessas de austeridade, o que levaria a um calote de sua dívida e possivelmente faria o país deixar o bloco monetário.

Bolsas

Merkel e líderes da União Europeia disseram na cúpula desta semana que querem manter a Grécia na Zona do Euro. Mas a alemã, que tem perdido votos nas eleições prévias, insiste em manter a austeridade em troca de recursos para o país do Mediterrâneo resgatar dívidas e manter funcionando o sistema financeiro, enquanto Hollande defende uma alternativa que concilie a austeridade com o crescimento. O francês apregoa o lançamento de eurobônus, garantidos pelos países da Zona do Euro, para financiar esses investimentos. Merkel é contra. Os impasses têm provocado forte oscilações nas bolsas, embora, desde a última quinta-feira, investidores estejam aproveitando o preço baixo de grandes empresas europeias para comprarem ações, o que fez com que registrasse dois pregões de alta.

Analistas do mercado temem, porém, que a saída da Grécia implique caros contigenciamentos para os bancos privados europeus. A crise de solvência de instituições financeiras da Espanha é outro fator de pressão a complicar o cenário. A expectativa se volta para o início da semana, quando novas reuniões entre líderes podem ser agendada dada a situação de urgência e emergência da Zona do Euro.

130 Bilhões de euros

Pacote de resgate da dívida grega