Título: Indústria segue lenta
Autor: Cristino, Vânia
Fonte: Correio Braziliense, 29/05/2012, Economia, p. 10

Mesmo com os consecutivos pacotes de estímulos à produção nacional anunciados pelo governo, a indústria continua patinando. Pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgada ontem mostra que o número de setores que se consideram com estoques excessivos saltou de quatro para seis entre abril e maio. Há dois meses, os segmentos de minerais não metálicos, têxtil e vestuário, mecânico e calçados reclamavam de pátios lotados. Em maio, os de material de transporte e mobiliário entraram na lista. O resultado do novo cenário foi um avanço tímido, de 0,1%, no Índice de Confiança da Indústria (ICI), que passou de 103,3 para 103,4 pontos.

De acordo com a pesquisa, um setor está superestocado quando a diferença entre o índice de empresas que consideram ter estoques excessivos e as que avaliam ter estoques insuficientes é maior ou igual a 10 pontos percentuais. O pior resultado foi para o ramo de transportes — a diferença foi de 19,9 pontos em maio, pior resultado desde janeiro de 2009.

Segundo semestre Na avaliação de Aloísio Campelo, coordenador da sondagem e superintendente adjunto de Ciclos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, o resultado da pesquisa mostra que a produção terá uma retomada lenta este ano. “A indústria da transformação deve começar o segundo semestre ainda com desempenho ruim”, disse. O indicador de situação futura dos negócios, que mede expectativas para os próximos seis meses, subiu 0,3% em maio, para 144,6 pontos, após uma alta de 4,4% em abril. Das 1.259 empresas consultadas, 50,7% preveem melhora dos negócios até outubro e 6,1% esperam piora. Em abril, esses índices haviam sido de 52,3% e 8,2%, respectivamente.

A sondagem ainda não captou os reflexos da alta do dólar nem do pacote de estímulo ao consumo anunciado pelo governo federal. Para Felipe Queiroz, analista da Austin Rating, as medidas adotadas recentemente, como a inclusão de 11 setores da indústria na desoneração da folha de pagamento e os cortes na taxa básica de juros (Selic), hoje em 9% ao ano, não têm efeito no curto prazo. “No caso dos juros, o prazo mínimo é de seis meses”, afirmou.