Título: Cachoeira ganha tempo e amarra comissão
Autor: Jeronimo, Josie
Fonte: Correio Braziliense, 01/06/2012, Política, p. 4
Goiânia — O peso do currículo dos advogados de Carlinhos Cachoeira fez a diferença na tramitação de um processo contra o bicheiro que corre na 11ª Vara da Justiça Federal. Graças a pedido de habeas corpus impetrado e deferido na noite da véspera da audiência que marcaria o fim do silêncio do contraventor, Cachoeira adiou o depoimento e ganhou mais tempo, até que seus advogados articulem estratégia de defesa.
A liminar, concedida pelo desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, determinou que somente após o cumprimento de três solicitações da defesa de Cachoeira a audiência que ouviria o contraventor e outros acusados de integrar a quadrilha será remarcada. O Ministério Público Federal apresentará recurso contra a liminar, mas enquanto a decisão do desembargador estiver em vigor, o bicheiro permanecerá em silêncio. Advogados dos acusados estimam que só em julho — quando o Congresso estiver em recesso parlamentar — as diligências tenham sido realizadas. Quando compareceu à CPI, Cachoeira informou que só falaria à comissão após prestar depoimento formal no processo da 11ª Vara.
A defesa de Cachoeira alegou, no pedido de suspensão da audiência, que teve seu direito cerceado, pois o juiz Paulo Augusto Moreira Lima não permitiu que o contraventor se reunisse a sós, por quatro horas, com seus advogados antes do depoimento. Foi permitido apenas que as partes se falassem por meio do parlatório, mecanismo passível de interceptação da conversa.
A segunda solicitação dos advogados foi a entrega de transcrição de depoimentos de testemunhas que, atualmente, só existem em arquivos de áudio. Mas a diligência que mais importa à defesa de Cachoeira diz respeito ao fornecimento de extratos telefônicos e à identificação de "quando e quais dados foram acessados a partir da senha genérica fornecida aos policiais federais".
Na estratégia de alegar deficiências na condução do processo que resultou em denúncia contra Cachoeira, envolvendo homens públicos que só poderiam ser investigados com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), advogados do contraventor encontraram lacunas nos relatórios de monitoramento telefônico que compõem a Operação Monte Carlo.
Ao Correio, advogados informaram que há períodos de até 12 dias sem monitoramento telefônico, apesar de os relatórios de trabalho da Polícia Federal detalharem registros diários de ligações. Os advogados suspeitam que as escutas relativas a quase 200 autoridades foram retiradas para não comprometer a legalidade do processo. O extrato telefônico conteria a completa relação de áudios gravados durante o trabalho de investigação da polícia.
Protestos Apesar de as audiências de instrução do processo de Cachoeira terem sido canceladas, manifestantes foram, na manhã de ontem, para a entrada do prédio da Justiça Federal em Goiânia a fim de protestar contra o governador Marconi Perillo. Com cartazes e megafone, um grupo de aproximadamente 30 estudantes gritaram palavras de ordem pedindo a saída do governador, que teve a convocação aprovada e prestará depoimento na CPI do Cachoeira em 12 de junho.