Título: Manobra rejeitada
Autor: Mascarenhas, Gabriel; de Tarso Lyra, Paulo
Fonte: Correio Braziliense, 06/06/2012, Política, p. 2
O Conselho de Ética do Senado negou ontem o pedido da defesa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) de perícia nas fitas de áudio gravadas pela Polícia Federal, que revelam a intimidade entre o parlamentar e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Os advogados de Demóstenes alegam que as gravações não podem ser utilizadas como provas no processo de cassação porque teriam sido obtidas de maneira ilegal. Foi acatado o pedido do relator do processo, Humberto Costa (PT-PE). Ele alegou que o pedido de Demóstenes era uma tática protelatória. O conselho também solicitou o histórico funcional de Kênya Vanessa Ribeiro, suspeita de ser funcionária fantasma no gabinete de Demóstenes no período em que ele era líder da minoria. Kênya é sobrinha de Cachoeira.
Na Câmara, começaram a ser analisados ontem os casos dos deputados que podem ter relações suspeitas com Cachoeira: Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), Rubens Otoni (PT-GO) e Sandes Júnior (PP-GO). Os três parlamentares foram ouvidos em reunião secreta e responderam a todas as perguntas. A comissão foi criada em abril, mas somente há 15 dias o corregedor-geral, Eduardo da Fonte (PP-PE), e os demais integrantes do grupo tiveram acesso aos inquéritos das operações da PF que estão na CPI. "Essa demora atrasou nosso trabalho, mas devemos apresentar o relatório final dentro do prazo, no dia 18", afirmou o corregedor.
O caso considerado mais complicado é o de Leréia, que aparece em gravações recebendo a senha do cartão de crédito de Cachoeira, supostamente para fazer o pagamentos de despesas pessoais. O deputado ainda teria facilitado a emissão de vistos para a sogra do bicheiro e recebido R$ 600 mil do esquema. (Paulo de Tarso Lyra e Adriana Caitano)