O globo, n. 31095, 25/09/2018. País, p. 7
Bolsonaro deve ter alta até sexta-feira, dizem aliados
Jussara Soares
25/09/2018
Presidenciável do PSL estuda manter campanha só com vídeos na internet; não há confirmação sobre debates
Internado há 19 dias em São Paulo, o candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, deve ter alta até a próxima sexta-feira, segundo informou a equipe médica aos familiares e assessores mais próximos. A expectativa é que, com a evolução do quadro de saúde, ele continue o tratamento em sua casa, em um condomínio da Barra da Tijuca, no Rio.
O presidenciável, no entanto, não retomará as atividades de campanha nas ruas, tampouco há confirmação de que poderá participar dos últimos debates da TV. Na reta final para a votação de primeiro turno, Bolsonaro se dedicará a fazer transmissões pela internet durante o horário eleitoral.
O presidenciável está afastado da corrida eleitoral desde 6 de setembro, quando recebeu uma facada durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG).
O candidato foi submetido a uma cirurgia na Santa Casa de Misericórdia da cidade. No dia seguinte, foi transferido de avião para o Hospital Albert Einstein, onde segue o tratamento. O deputado precisou passar por uma segunda cirurgia às pressas em decorrência da aderência das paredes do intestino, no dia 12.
Críticas à Polícia Federal
Boletim médico divulgado na tarde de ontem confirma o quadro de melhora do excapitão. De acordo com a equipe do hospital, ele “mantém boa evolução clínica e permanece sem dor, sem febre ou outros sinais de infecção”.
Ontem pela manhã, Bolsonaro, gravou, no quarto do hospital, uma entrevista à rádio “Jovem Pan”, na qual afirmou ter sido vítima de um atentado político e criticou a investigação da Polícia Federal sobre o crime.
Na conversa de 16 minutos, chorou ao se lembrar do ataque e contou que imaginou ter levado “um soco ou um pedrada”. O presidenciável disse ter visto apenas um vulto de seu agressor Adélio Bispo de Oliveira. Para ele, o homem “foi cumprir uma missão” e, segundo ele, não agiu sozinho.
— Ele (Adélio) não é tão inteligente assim, não. A tendência natural é, em um ato como aquele, ser linchado. Então, ele foi para cumprir a missão quase na certeza que não seria (linchado) — disse Bolsonaro, ao lado do filho Flávio, deputado estadual pelo Rio e candidato ao Senado.
Bolsonaro aproveitou para contestar o delegado Rodrigo Morais, que, em entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo, afirmou que até agora não há elementos que sustentam que Adélio Bispo teve ajuda para executar o crime.
— Ouvi dizer que a Polícia Civil de Juiz de Fora está bem mais avançada do que a Polícia Federal. O depoimento que eu ouvi do delegado da PF, que está conduzindo o caso, realmente é para abafar o caso. Eu lamento. O que eu o ouvi falando dá a entender até que ele age, em parte, como uma defesa do criminoso. Isso não pode acontecer — disse o candidato, acrescentando que não quer que “inventem um responsável” para o atentado.
Bolsonaro afirmou desejar que seu agressor seja punido com o que está previsto em lei para tentativa de homicídio, cuja pena é de seis a 20 anos de reclusão. No entanto, disse que, caso eleito, vai atuar para aumentar a penalidade e para extinguir a progressão da pena:
— Por que a pena dele (Adélio) tem que ser abaixo de um homicídio em si? Vamos mudar isso no futuro, se Deus quiser, caso eu seja presidente. E mais ainda: vamos acabar com a progressão de pena.
Menos arrecadação
Na entrevista, o candidato falou também de propostas de Paulo Guedes, seu guru na área econômica, mas não comentou sobre a polêmica da crianção de um imposto sobre a movimentação financeira, similar à CPFM.
Bolsonaro se limitou a dizer que o plano de Guedes consiste em dar isenção no Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários-mínimos. A partir desse valor, a alíquota única seria de 20%. Bolsonaro afirmou que o economista “está sendo ousado” e adiantou que pode negociar com Guedes, caso a regra prejudique quem ganha entre cinco e dez salários.
— Vamos mexer na economia sem sacrifício para ninguém. Se a alíquota de 20% estiver alta para alguns, eu converso com o Paulo Guedes —disse Bolsonaro, sugerindo que até dez salários-mínimos a alíquota seja de 15%. — No final, eu quero que a União arrecade menos.