O Estado de São Paulo, n. 45629, 21/09/2018. Política, p. A8
Hadad vira alvo dos rivais em debate
Pedro Venceslau e Ricardo Galhardo
21/09/2018
Eleições 2018 Disputa presidencial / No 1.º encontro desde que assumiu a campanha, petista foi questionado sobre denúncias de corrupção contra seu partido e crise econômica
Com a ausência de Jair Bolsonaro (PSL), o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, foi o alvo principal dos adversários durante o debate realizado na noite de ontem pela TV Aparecida, na cidade do interior paulista. Estreante num encontro entre os presidenciáveis, Haddad foi questionado sobre denúncias de corrupção envolvendo petistas e a crise econômica originada no governo da presidente cassada Dilma Rousseff.
Haddad assumiu a candidatura presidencial do PT somente no dia 11 deste mês, em substituição a Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato e barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Conforme as mais recentes pesquisas, ele está em segundo lugar nas intenções de voto, atrás do líder Bolsonaro – o candidato do PSL permanece internado se recuperando de uma facada.
O debate de ontem, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Santuário Nacional de Aparecida, também foi marcado pelo primeiro confronto direto entre Haddad e o tucano Geraldo Alckmin. O petista questionou Alckmin sobre sua posição em relação à reforma trabalhista e a emenda do Teto dos Gastos, aprovada no governo Michel Temer, com apoio do PSDB.
O ex-governador aproveitou a deixa para responsabilizar Dilma tanto pela crise econômica que gerou 13 milhões de desempregados quanto pelo fato de Temer ser o presidente. “Não precisaria da PEC do teto se não fosse o vale-tudo do PT que não tem limites para ganhar a eleição. São 13 milhões de desempregados, herança da Dilma e do PT. Quebraram o Brasil. O petrolão foi o maior escândalo do mundo”, disse Alckmin.
O petista disse que, se eleito, vai revogar a reforma trabalhista e o teto dos gastos e se defendeu citando mais uma vez a entrevista do ex-presidente do PSDB Tasso Jereissati ao Estado. “Quem se uniu ao Temer para trair a Dilma foi o PSDB. Ele que colocou o Temer com um programa totalmente contrário ao que foi aprovado nas urnas. Tasso Jereissati assumiu que o PSDB sabotou o governo desde a reeleição”, disse Haddad.
Henrique Meirelles (MDB), em outro momento, também afirmou que a crise “criada pelo governo da Dilma foi construída pela aplicação do programa do PT”. “Estamos vivendo o momento em que o Brasil saiu do fundo do poço, mas ainda tem milhões de desempregados.”
Haddad retrucou lembrando que o emedebista foi durante oito anos presidente do Banco Central no governo Lula. “Considero a ingratidão um dos maiores pecados da política.”
A mais enfática censura ao candidato do PT, contudo, partiu do presidenciável do Podemos, Alvaro Dias. Em resposta a um questionamento do petista, Dias afirmou que o PT distribuiu a “pobreza para todos e a riqueza para alguns”. “Você, Haddad, vem para essa campanha como o porta-voz da tragédia, o representante do caos”, afirmou. “A família brasileira é vítima dessas desigualdades sociais.”
O petista citou o Bolsa Família. “É um conjunto enorme de programas que foram geridos que fortaleceram a família e você parece desconhecer. Você fica no Senado, no seu gabinete, e parece desconhecer a realidade.”
Ciro Gomes, do PDT, tratou Haddad como “amigo”, mas reservou críticas ao partido adversário. Ao falar sobre reforma tributária, disse que o PT esteve no poder por 14 anos (sic), mas não promoveu a reforma. “O grande pacto do PT com PSDB nunca permitiu mudar o sistema.” Haddad respondeu que Lula “fez uma das maiores reformas tributárias às avessas do País”.
O Ibope, em sua mais recente pesquisa, mediu as intenções de voto entre os católicos. Jair Bolsonaro lidera e, no dia 18, tinha 25%. Fernando Haddad estava com 21%, mas tinha 9% na pesquisa anterior. A transferência dos votos do ex-presidente Lula lhe deu 12 pontos entre os católicos. Ciro Gomes oscilou para cima, com 13% do eleitorado desta religião.
Frases
“Considero a ingratidão um dos maiores pecados da política. O Meirelles foi por 8 anos presidente do BC no governo PT.”
Fernando Haddad (PT)
“Todos deveriam fazer autocrítica. Mas o PT, ao invés de fazer autocrítica, lança candidatura na porta de presídio.”
Geraldo Alckmin (PSDB)
“(Há um) incêndio no Posto Ipiranga. Alguma coisa está acontecendo lá (na campanha de Bolsonaro).”
Marina Silva (REDE)
“Você, Haddad, vem para essa campanha como o porta-voz da tragédia, o representante do caos.”
Alvaro Dias
(PODEMOS)
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Justiça prorroga investigação de atentado contra presidenciável
Fabio Serapião e Fausto Macedo
21/09/2018
PF pediu mais prazo para concluir diligências e análise de informações telefônicas e bancárias do agressor de Bolsonaro
A 3.ª Vara Federal de Juiz de Fora (MG) aceitou o pedido da Polícia Federal para prorrogar por mais 15 dias o inquérito sobre o atentando ao candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL). O pedido tem como objetivo dar prosseguimento à apuração sobre o “contexto” do ataque ao presidenciável, que, no dia 6 deste mês, foi esfaqueado pelo pedreiro Adelio Bispo de Oliveira durante um ato de campanha na cidade mineira.
A PF está fazendo uma devassa nos últimos dois anos da vida de Adelio. Já foram entrevistadas 38 pessoas e colhidos 15 depoimentos formais de testemunhas. Também foram analisados dois terabytes de imagens.
Sobre o material apreendido nos locais que o agressor frequentou antes do crime e dados encontrados em aparelhos eletrônicos, os peritos da PF já produziram cinco laudos. Outros quatro relatórios estão sendo finalizados – motivo pelo qual, de acordo com a PF, é necessária a prorrogação do prazo do inquérito. Peritos e investigadores ainda analisam informações oriundas de quebras de sigilo bancário, telefônico e telemático autorizadas pela Justiça.
Já houve diligências em Juiz de Fora, Montes Claros, Uberaba, Uberlândia, Pirapetinga, Belo Horizonte e Florianópolis. Segundo a Polícia Federal, a prorrogação por mais 15 dias “visa possibilitar o encerramento de diligências indispensáveis à finalização do procedimento”. O objetivo é reunir “elementos probatórios” que possam “caracterizar a autoria e materialidade do ato criminoso, bem como determinar as motivações do agressor e delimitar eventuais coparticipações”.
Embora o inquérito ainda não tenha sido concluído, o Estado apurou que a principal linha de investigação até o momento é a de que Adelio planejou e executou o ataque sozinho. A ausência de indícios de que teria tido ajuda de outras pessoas converge com a versão dada pelo próprio agressor nas três vezes em que foi ouvido pela PF. Nos depoimentos, Adelio disse que agiu sozinho, motivado por divergências ideológicas com o candidato do PSL.
Após o ataque, Adelio foi preso. Na delegacia, assumiu o crime e disse que agiu “a mando de Deus”. Ele foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional.
Depoimentos: 15 testemunhas já foram ouvidas por agentes da PF na investigação sobre o atentado ao candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL).