Título: PT atropela prévia no Recife
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Fonte: Correio Braziliense, 06/06/2012, Política, p. 6

A Executiva Nacional do PT definiu ontem que o senador Humberto Costa será o candidato do partido à Prefeitura do Recife. O anúncio encerra a primeira batalha política da legenda para reconstruir os cacos após o cancelamento das prévias realizadas em 20 de maio, vencidas pelo atual prefeito, João da Costa. A derrota foi confirmada pelo próprio prefeito, que deixou a reunião antes do fim. Humberto terá como vice o presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, sacramentando a dobradinha do PT com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional da sigla socialista.

Campos trabalhou intensamente pela aliança, pois não tem interesse em perder a eleição na capital pernambucana, considerada estratégica para seus planos eleitorais a partir de 2014, quando deverá concorrer ao Senado — apesar de alguns integrantes do PSB sonharem com uma vaga na chapa presidencial de Dilma Rousseff. Além disso, a escolha de Humberto Costa traz outra vitória para o PSB. O suplente de Humberto no Senado é o pessebista Joaquim Francisco, ex-DEM e ex-governador do estado.

O PT terá, agora, que unir forças para a campanha. Os partidários do atual prefeito estavam desde a noite de ontem em vigília em frente ao diretório municipal do partido, à espera de um resultado positivo. "Não dá para perder a eleição, dá para fazer uma campanha técnica, burocrática. Mas, com certeza, não teremos uma campanha com a paixão e a energia que sempre caracterizaram a militância do PT", lamentou a deputada estadual Teresa Leitão, aliada de João da Costa.

Ao deixar o encontro ontem, João da Costa criticou a intervenção partidária e disse que discutiria com a militância os próximos passos. O prefeito deixou aberta a possibilidade de sair do PT. Na semana passada, partidários de Humberto Costa e do secretário de Governo de Pernambuco, Maurício Rands — derrotado por João da Costa nas prévias de maio —, defenderam, inclusive, a expulsão do prefeito se ele insistisse em manter a pré-candidatura.

Forças políticas Definida a aliança PT-PSB, as demais forças políticas no estado começam a se movimentar. Estimulada pelo senador Armando Monteiro (PTB), uma aliança incluindo o próprio PTB, o PP, o PSC e o PV estuda lançar nome próprio à prefeitura. Segundo um integrante do grupo, a ideia é esperar entre uma semana e 10 dias para avaliar o comportamento da militância petista. Se houver sinais claros de que ela não "abraçará" o petista, o grupo poderá lançar uma candidatura alternativa. Três nomes estão com chances: os deputados federais Dudu da Fonte (PP) e Carlos Eduardo Cadoca (PSC) ou o deputado estadual Silvio Costa Filho (PTB), filho do deputado federal Silvio Costa.

A oposição adota uma postura inversa. Não acredita na candidatura alternativa, achando que o poder de aglutinação do governador conseguirá atrair todos os partidos da base para a chapa PT-PSB. Por isso, há grandes chances de serem apresentadas três candidaturas. A primeira é a do deputado Daniel Coelho (PSDB), estadual mais votado nas últimas eleições. Os outros dois são os federais Raul Henry (PMDB) e Mendonça Filho (DEM), ex-governador do estado.

Para o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), a pulverização das candidaturas será importante para garantir um representante do grupo no segundo turno. "Na eleição passada (2008), não passamos para o segundo turno por 1%. Temos chances de virar esse quadro", acredita Guerra.

"Na eleição passada (2008), não passamos para o segundo turno por 1%. Temos chances de virar esse quadro" Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB e deputado federal de Pernambuco

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