Título: G-7 vai apoiar Europa
Autor: Franco, Carlos
Fonte: Correio Braziliense, 06/06/2012, Economia, p. 11
As principais bolsas de valores da Ásia e da Europa, com exceção de Frankfurt, fecharam em alta ontem depois que as autoridades financeiras do grupo de países mais ricos do mundo, o G-7 (Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Japão, Canadá e Itália mais a Rússia), decidiram discutir avanços na direção de uma união financeira e fiscal na Europa. A intenção é estancar a crise que assola a Zona do Euro. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou que, na teleconferência de emergência, as autoridades "revisaram os avanços na economia global e nos mercados financeiros, e a resposta política está sob consideração". Hoje, o Banco Central da Europa (BCE) tem reunião decisiva e a expectativa do mercado é que medidas mais concretas sejam anunciadas.
"Acho que, obviamente, os problemas da Europa cabem primeiro à Europa resolver, mas vivemos claramente em um mundo interdependente e a perspectiva da economia global é impactada pela Europa", afirmou o secretário adjunto para Assuntos Internacionais do Departamento do Tesouro norte-americano, Mark Sobel. O ministro das Finanças do Japão, Jun Azumi, confirmou, no término da teleconferência, que os países decidiram trabalhar juntos para lidar com os problemas que afetam a Espanha e a Grécia.
Em meio às preocupações de que a crise da dívida na Europa poderia colocar em risco a recuperação dos EUA, a administração norte-americana afirmou, por sua vez, que a União Europeia precisa adotar novas medidas para convencer os mercados de que tem feito o suficiente. O Tesouro dos EUA afirmou ainda que os ministros das Finanças concordaram em fiscalizar mais de perto os desdobramentos antes da reunião do G-20 nos próximos dias 18 e 19, no México. Ontem, a Casa Branca informou que o presidente Barack Obama e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, conversaram, por telefone, sobre as preparações do G-20.
Bancos
A Espanha — que tem estado cada vez mais na mira dos mercados — deu ontem novo argumento para não pedir ajuda externa, ao afirmar que o país não é resgatável, no sentido técnico do termo. O país é a quarta economia da Zona do Euro, a qual representa 12% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas) da região frente a 6% de Irlanda, Portugal e Grécia juntos. Os resgates desses três países custaram respectivamente 85, 78 e 292 bilhões de euros, o que permite calcular um custo muito mais elevado para Madri.
Após o resgate histórico de 23,5 bilhões de euros solicitado em maio pelo Bankia, terceiro banco do país em número de ativos, a Espanha está no centro das preocupações, já que os investidores temem que a nação não consiga fazer frente por si só a suas obrigações financeiras. "Este não será o caso, porque, entre outras coisas, a Espanha não é resgatável", disse o ministro da Fazenda, Cristóbal Montoro, em entrevista a uma rádio. Em Madri, os espanhóis continuam protestando contra as regras de restrição para resgates no Bankia, enquanto as autoridades começam a dar sinais de agravamento da crise. O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, disse também ontem que a dívida externa da Espanha é de 92,2% do PIB. "Devemos fora da Espanha quase 1 bilhão de euros", disse, afirmando que "esse dinheiro tem que ser devolvido."