Título: China corta juros para incentivar crescimento
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Fonte: Correio Braziliense, 08/06/2012, Economia, p. 9

Pequim — Numa decisão que surpreendeu os analistas econômicos, o Banco Central da China cortou em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros, ontem, para estimular o crescimento do país, que vem dando seguidos sinais de desaceleração. Foi a primeira redução desde o período mais duro da crise financeira global de 2008/2009. A nova taxa, de 6,31% ao ano, entra em vigor a partir de hoje, informou o BC em breve comunicado no seu site na internet. Os juros para depósitos também foram reduzidos na mesma proporção e caíram para 3,25%.

"É obviamente um forte sinal de que o governo quer impulsionar a economia, especialmente pelo lado da demanda", disse Qinwei Wang, economista da Capital Economics em Londres. Segundo analistas, a medida é positiva para o Brasil, pois, se conseguir estancar o enfraquecimento da economia chinesa, resultará num avanço das exportações brasileiras para o país asiático.

A mudança ocorre antes da divulgação, amanhã, dos indicadores econômicos de maio. Em abril, os dados mostraram uma desaceleração maior do que a prevista da produção industrial, responsável por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Segundo analistas, entre abril e junho, a economia chinesa deverá apresentar o trimestre mais fraco de crescimento em três anos. O crescimento anual do PIB passou de 10,4% em 2010 para 9,2% em 2011, antes de cair para 8,1% no fim de março último.

Os exportadores chineses sofrem com a crise na Europa, seu maior mercado, enquanto a demanda interna não consegue se expandir e os investimentos, embora elevados, também estão caindo. As exportações da China subiram 6,9% em ritmo anual durante os quatro primeiros meses do ano, contra 20,3% em 2011 e 31,1% em 2010.

Situação grave Além da queda dos juros, a maior novidade é que os bancos poderão oferecer aos clientes uma remuneração de até 10% acima da taxa de referência. No caso dos empréstimos, eles poderão cobrar até 20% menos do que o nível estabelecido pelo Banco Central, o dobro do que era praticado até agora. "É uma mudança muito importante, já que se trata de uma liberalização das taxas que alguns vinham pedindo há muitos anos", disse Ken Peng, economista do banco francês BNP Paribas em Pequim. Segundo ele, a maioria dos analistas só esperava uma decisão dessas depois do 18º Congresso do Partido Comunista, que deverá aprovar a chegada de uma nova geração de dirigentes ao poder.

O fato de ter ocorrido neste momento "indica que há um consenso forte para uma liberalização financeira e para uma reforma do setor bancário", disse Ken. A diminuição dos juros é uma medida de flexibilização monetária que se soma a três reduções consecutivas, desde dezembro, do nível de reservas obrigatórias dos bancos, com o objetivo de incentivar os créditos e estimular a atividade econômica. "Isso mostra que a situação da economia chinesa é grave", disse Hu Xingdou, professor de Economia do Instituto de Tecnologia de Pequim.

8,1%

Expansão anual da economia chinesa no primeiro trimestre