O Estado de São Paulo, n. 45618, 10/09/2018. política, p. A6

 

Presidenciáveis são confrontados com casos de corrupção

10/09/2018

 

 

 

 Recorte capturado

 

 

 

Eleições 2018 Debate presidencial / Alckmin diz que situação de Aécio é diferente da de Lula, já condenado; Marina é questionada sobre não ter deixado PT logo depois do mensalão

Debate. Os presidenciáveis Marina Silva (Rede), Henrique Meirelles (MDB) e Geraldo Alckmin (PSDB) durante o evento: tema da corrupção dominou as perguntas feitas no segundo bloco

O primeiro debate após o atentado contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL), promovido ontem pelo Estado em parceria com a TV Gazeta, a Rádio Jovem Pan e o Twitter, retomou a discussão sobre o combate à corrupção nos embates entre os postulantes ao Planalto. O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) respondeu pela primeira vez em um encontro com adversários sobre a acusação de improbidade administrativa em ação apresentada pelo Ministério Público de São Paulo, no dia 5. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT também foram alvo.

O tema da corrupção dominou o segundo bloco do debate. Já na primeira pergunta, Alckmin teve de responder sobre a ação na qual é acusado de enriquecimento ilícito por suposto caixa 2 da Odebrecht na campanha de 2014. “Estranho que isso (a acusação) ocorra a menos de 30 dias das eleições.”

Ao ser questionado por Marina Silva (Rede), o tucano disse que é preciso diferenciar o caso de Lula, condenado a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, e do senador Aécio Neves. “Ele (Lula) foi condenado em segunda instância. Aécio nem julgado foi. Lei é para todo mundo. Quem deve, deve responder, deve ser punido. Quem não deve, deve ser absolvido.”

Marina respondeu que “PT e PSDB passaram a ser faces da mesma moeda”. “O que diferencia

Aécio é o fato de ter foro privilegiado. Por isso, somos a favor de acabar com o foro, para não criar dois pesos e duas medidas no processo de combate à corrupção”, disse Marina. Na tréplica, Alckmin relembrou o passado petista da candidata. “Marina esteve 20 anos no PT. Em 2006, ocorreu o mensalão. Ela não saiu do PT. Só saiu em 2008. Nós sempre estivemos do outro lado de onde estava o PT.”

Já o candidato do MDB, Henrique Meirelles, foi questionado sobre investimentos que possui nas Bermudas, no Caribe. O emedebista disse que seus investimentos estavam em uma fundação “com finalidade de investir em educação no Brasil” depois que ele morrer.

Ciro Gomes (PDT), que levantou a questão em entrevistas recentes, chegou a elogiar o adversário. “Fui colega do Meirelles e tenho apreço por ele. Não é uma pessoa desonesta. Mas o Brasil permite de forma imoral a ele, que comandou a autoridade monetária, que vigia taxa de juros, e aos brasileiros abastados manterem mais de R$ 500 bilhões no estrangeiro.”

 

Lava Jato. Ciro foi questionado se vai apoiar a Lava Jato ou vai colocá-la “na caixinha”. O pedetista afirmou que operação “pode ser uma virada histórica”, mas criticou a “Justiça barulhenta”. Alckmin disse dar “total apoio à Lava Jato”.

Os dois discordaram sobre a prisão de Lula. Ciro disse que “política é política e direito é direito”. “O Brasil garante quatro graus de jurisdição, o que é uma aberração. Lula está com pena executada na segunda instância. Isso é novo”, disse Ciro. Alckmin afirmou que a prisão em segunda instância é correta. 

 

REPERCUSSÃO

“Foi um divisor de águas. Deixou nítido quem não tem plano. Boulos, apesar de fluente, deveria ser locutor, não presidente. A falta do Bolsonaro deixou o debate mais frio. Senti falta do Amôedo também.”

Maria Luiza Bozzolo​, ENGENHEIRA E PERITA CRIMINAL

 

“O debate promovido entre os candidatos à Presidência foi muito esclarecedor. Eu destaco a civilidade do encontro e o foco nas propostas dos presidenciáveis.”

João Miranda​, PRESIDENTE DA VOTORANTIN

 

“Depois da semana tumultuada, foi civilizado. Se perguntas fossem mais de participantes ou de jornalistas, poderia ser mais instigante. Ciro teve boa performance. Alckmin é o mais qualificado.”

Camila Sampaio​,EMPREENDEDORA

 

“Os candidatos estão contidos. Acho que todos eles baixaram o tom por conta do acontecido com o Bolsonaro. Vamos ver como será nos próximos encontros.”

Sérgio Gobeti​, ARQUITETO

 

“Foi morno. Não sei se por falta do Bolsonaro. Esperava mais calor. Não é meu candidato, mas Ciro se destacou. Quando fala, me passa segurança. Está realmente preocupado com o que está falando.”

Ivana Mello​, COORDENADORA DE COMUNICAÇÃO

 

“Faltou o deputado Jair Bolsonaro. Sou eleitor dele. Vim aberto para ouvir ou outros, mas nenhum deles conseguiu me convencer.”

Valter Luiz da Silva​, EMPRESÁRIO