Título: Crescimento é revisto para 2%
Autor: Hessel, Rosana
Fonte: Correio Braziliense, 07/06/2012, Economia, p. 10

A dificuldade da atividade econômica brasileira de pegar no tranco neste primeiro semestre levou os analistas do Banco Itaú Unibanco a revisarem as estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,1% para 2% este ano, abaixo do resultado de 2011, de 2,7%, que já ficou conhecido como "pibinho". O relatório da instituição divulgado ontem justifica o desempenho ruim em 2012 devido ao PIB mais fraco do primeiro trimestre, com alta de apenas 0,2%, e à queda da produção industrial em abril. Para o segundo trimestre, a previsão é de crescimento de 0,8%.

Com um PIB menor em 2012, o banco também revisou a estimativa para 2013, de 5,1% para 4,5%. "Avaliamos que o ritmo de crescimento ao longo de 2013 será um pouco mais moderado do que o anteriormente projetado. Consideramos que o cenário internacional permanecerá incerto por mais tempo", diz o relatório.

Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio Leal, a projeção é "justa", devido às dificuldades que a economia está tendo para acelerar. Para chegar à última estimativa do próprio ABC, de crescimento de 2,4%, Leal afirmou que o PIB tem que crescer fortemente no segundo semestre, acima de 5%. O que é considerado cada vez menos provável. "O desempenho ruim do primeiro trimestre é bola de ferro para segurar o crescimento em todo o ano", disse.

O economista Simão Davi Silber, professor da Universidade de São Paulo (USP), afirmou não ter ficado surpreso com as projeções do Itaú Unibanco, pois também prevê que o crescimento do PIB não passará dos 2% este ano. "Será um micropib, decepcionante", observou. Segundo ele, os indicadores "não são nada empolgantes". No segundo trimestre, a economia não deverá ter desempenho muito diferente dos primeiros três meses. "Não vai haver grande reação. Se for melhor no segundo semestre, dá para chegar aos 2%", avaliou Silber.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu ontem que o setor privado está assustado com a situação internacional e, por isso, está segurando os investimentos.