Título: Hora de cautela
Autor: Hessel, Rosana
Fonte: Correio Braziliense, 07/06/2012, Economia, p. 10
Apesar do desejo do governo de que os contribuintes torrem os R$ 2,5 bilhões do primeiro lote de restituição do Imposto de Renda (IR), para estimular a economia, o momento requer cautela. Na avaliação dos especialistas, em vez de consumir, quem tiver dívida deve quitá-la imediatamente, pois os juros são muito elevados. Se houver sobras, a dica é aplicar os recursos de forma conservadora, para evitar surpresas desagradáveis. O apetite ao risco deve ser afastado, até que a crise de confiança na Europa tome um rumo.
As aplicações preferidas dos especialistas, a curto prazo, são o Tesouro Direto e a caderneta de poupança. Com a atual tendência de queda na Taxa Básica de Juros (Selic), as Letras do Tesouro Nacional (LTN) são as mais indicadas, por se tratarem de títulos públicos pré-fixados, ou seja, com rendimento determinado na hora da compra. "As Notas do Tesouro Nacional Série F (NFN-F) também são boa opção. Embora pós-fixadas (rendimento definido no momento do resgate), têm a vantagem dos bônus semestrais do governo (cupom) e são adequadas para quem aposta na alta da inflação. O único problema é a reduzida oferta", destacou Cesar Bergo, sócio-consultor da Corretora Openinvest.
A poupança é o melhor caminho para quem tem em torno de R$ 300 disponíveis e os fundos de renda podem ser indicados aos que têm um pouco mais de recursos. "Mas as pessoas devem se acostumar com rendimentos cada vez menores", enfatizou Rafael Pachoarelli, professor de finanças da USP. A bolsa de valores perdeu a atratividade. O Ibovespa, índice que mede as ações mais negociadas, fechou 2011 com perdas de 18,1%. Neste ano, até o pregão de ontem, registrava baixa de 4,58%.