Título: Decifrando o BC
Autor: Cristino, Vânia
Fonte: Correio Braziliense, 09/06/2012, Economia, p. 15
» Sem saber como mensurar o tamanho da crise externa no momento, o Banco Central retirou da ata a referência, constante do documento anterior, de que o impacto da crise internacional sobre a economia brasileira seria de um quarto do verificado em 2008. Em seu lugar, os membros do Copom optaram por uma visão mais genérica.
» O parágrafo 16 diz o seguinte: " No cenário central (do BC), estão considerados os efeitos estimados decorrentes da atual deterioração do cenário externo sobre a economia brasileira, mas sem a observância de eventos extremos. Note-se que parte desse impacto estimado vem se manifestando em indicadores recentes de atividade econômica e de preços".
» Na ata atual, o BC passou a dar mais importância à perda da confiança dos empresários (que vem suspendendo investimentos produtivos). Isso fica claro no parágrafo 22 do documento: "Para o Copom, acumulam-se evidências que apoiam a visão de que a transmissão dos desenvolvimentos externos para a economia brasileira se materializa por intermédio de diversos canais como, entre outros, moderação da corrente de comércio, moderação do fluxo de investimentos e condições de crédito mais restritivas".
» Sobre o impacto da crise externa na confiança de empresários, o Copom frisa: "O Comitê entende que os efeitos da complexidade que cerca o ambiente internacional se somaram aos da moderação da atividade doméstica. Dito de outra forma, o processo de moderação em que se encontrava a economia brasileira já no primeiro semestre do ano passado foi potencializado pela fragilidade da economia global". Ou seja, com o consumo fraco e sem perspectiva de recuperação ao longo dos próximos meses, muitas empresas suspenderam a ampliação de fábricas e a contração de empregados.
» Mais uma vez, o BC reforça a questão da parcimônia (cuidado maior) no movimento de flexibilização da política monetária — isto é, juros mais baixos. O parágrafo 35 diz o seguinte: "Diante do exposto, mesmo considerando que a recuperação da atividade vem ocorrendo mais lentamente do que se antecipava, o Copom entende que, dados os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, qualquer movimento de flexibilização monetária adicional deve ser conduzido com parcimônia."