Título: País não vai bem
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Fonte: Correio Braziliense, 09/06/2012, Economia, p. 17
O presidente norte-americano, Barack Obama, afirmou ontem que "está absolutamente claro que a economia do país não vai bem" e que mais ações são necessárias para fomentar o crescimento dos Estados Unidos. Obama deu a entrevista após republicanos avaliarem seus comentários feitos anteriormente de que o setor privado estava "indo bem" e que o enfraquecimento econômico do país tinha como base os governos locais e regionais, o mercado imobiliário e a construção.
Diante de uma economia que continua patinando, crescem as expectativas dos economistas de que o Federal Reserve (banco central norte-americano) lançará mais estímulos monetários para fortalecer a economia dos Estados Unidos contra o contágio da crise da dívida na Europa e impulsionar a demanda do mercado doméstico. Pesquisa feita pela agência de notícias Reuters com 48 economistas revela que eles apostam em 42,5% de chances de o Fed promover mais uma rodada de estímulos. Levantamento semelhante realizado no último dia 15 resultou em uma chance de apenas 30% de o Fed embarcar em uma nova rodada de impressão de dinheiro.
Ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor"s reafirmou a nota "AA+" para os EUA, mas manteve sua perspectiva negativa para o país, afirmando que isso pode significar um rebaixamento da sua classificação até 2014, em razão das dificuldades políticas para combater o deficit fiscal.
Depois de reduzir a nota "AAA", a máxima qualificação em sua escala, em agosto de 2011, a SP afirma agora que "a perspectiva negativa" se mantém e reflete os riscos "políticos e fiscais que poderiam levar a uma nova redução da nota "AA+" (da dívida) em 2014". O governo já questionou a metodologia da agência.
A SP já havia advertido em agosto de 2011 que, se os políticos não conseguirem solucionar juntos o buraco nas finanças públicas norte-americanas e reduzir a dívida no médio prazo, os Estados Unidos poderão enfrentar outra redução da nota. As notas das dívidas refletem a solidez de uma economia. Um corte pode afetar os juros pagos por um país para se endividar nos mercados internacionais, algo especialmente delicado para os EUA.