Título: Obama pede ajuda urgente
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Fonte: Correio Braziliense, 09/06/2012, Economia, p. 17

Após o PIB da Grécia registrar queda de 6,5% no primeiro trimestre do ano, o presidente norte-americano apela para que auxílio às nações europeias seja rápido para atenuar custos futuros da crise, que ameaça sua reeleição

Washington — No dia em que foi divulgado que o Produto Interno Bruto (PIB) da Grécia registrou mais queda, desta vez, de 6,5% no primeiro trimestre do ano, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu ontem aos líderes europeus para que adotem ações urgentes e decisivas para combater a crise econômica da região. Ele advertiu a Grécia sobre os perigos de sair da Zona do Euro. Para ele, seria muito pior para o país grego abandonar o bloco. "Sabemos os sacrifícios feitos pelo povo grego, e os líderes europeus entendem a necessidade de apoiá-los, caso queiram permanecer na Zona do Euro", disse.

A Grécia está no quinto ano consecutivo de recessão. No último trimestre de 2011, o PIB grego já havia recuado 7,5%. As instituições financeiras multiplicaram nos últimos meses as advertências sobre o risco de que 2012 termine com uma recessão pior que a prevista. O Banco da Grécia aponta para uma contração de 4,5% este ano, depois da queda de 6,9% em 2011.

O presidente norte-americano disse estar confiante de que os líderes da região entendem a gravidade da crise, que influi negativamente em suas possibilidades de ser reeleito. "As decisões requeridas são duras, mas a Europa tem a capacidade de tomá-las. E quanto antes atuarem e mais decisivas e concretas forem as ações, mais cedo o povo e os mercados recuperarão a confiança e menores serão os custos das soluções", disse Obama.

Há nove dias das eleições na Grécia, cujos cidadãos vão às urnas pela segunda vez em seis semanas, devido à incapacidade dos grupos políticos de formar um governo, Obama fez votos de que o país continue no euro. Os eleitores da Grécia, no entanto, continuam divididos. O partido grego Syriza, uma formação de esquerda contrária aos planos de austeridade impostos pelo resgate internacional, encabeça as pesquisas, desencadeando temores sobre uma saída do país da Zona do Euro.

Violência A agressão de um deputado do partido neonazista Chryssi Avghi (Aurora Dourada) contra duas deputadas em plena campanha eleitoral e diante das câmeras de TV foi um ato revelador para a opinião pública grega, depois de anos de tolerância à violência da extrema direita. As imagens do porta-voz do partido, Ilias Kasidiaris, batendo três vezes no rosto da deputada comunista Liana Kanelli, durante um debate ao vivo na televisão na quinta-feira, provocaram comoção na classe política. Instantes antes, Kasidiaris havia jogado um copo de água no rosto de outra deputada, Rena Dourou, do partido de esquerda Syriza. O governo denunciou "categoricamente um ataque contra a democracia", a quase uma semana das eleições.

Acusado há anos por militantes dos direitos humanos de traduzir em fatos seu discurso xenófobo e antissemita, o Aurora Dourada obteve um resultado de menos de 1% nas eleições de 2009, fracassando em sua tentativa de entrar no Parlamento. Mas, um ano depois, seu líder, Nikos Mihaloliakos, foi eleito para o Conselho Municipal de Atenas.