Título: Reação em Portugal
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Fonte: Correio Braziliense, 09/06/2012, Economia, p. 17
A economia portuguesa tem dado alguns sinais de reação. O Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal apresentou contração de 0,1% no primeiro trimestre com relação ao trimestre anterior, e de 2,2% em um ano, confirmou ontem o Instituto Nacional de Estatísticas (INE). Segundo o órgão, a queda dos investimentos foi menor do que se esperava. Esses dados coincidem com a estimativa publicada pelo INE em meados de maio, que destacava que a economia portuguesa está tendo uma evolução melhor que a prevista, para a qual contribuíram o aumento das exportações e a queda das importações.
Sob ajuda financeira da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) desde maio de 2011, Portugal se comprometeu a aplicar um exigente plano de austeridade e reformas e deve registrar neste ano uma recessão de 3% do PIB, após uma queda de 1,6% em 2011.
O governo e os principais credores (UE, BCE e FMI) preveem um crescimento moderado de 0,2% do PIB no próximo ano. A queda de 0,1% nos primeiros três meses do ano se explica por um recuo da demanda interna de 0,1%, embora muito inferior ao registrado de outubro a dezembro de 2011, de 4,3%, afirma o INE.
Na Alemanha, as perspectivas também estão melhores. O Banco Central da Alemanha, o Bundesbank, elevou ontem a previsão de crescimento do PIB do país neste ano para 1%, contra 0,6% anteriormente, mas reduziu a estimativa em 2013 para 1,6% (frente ao percentual anterior, de 1,8%). O Bundesbank considera que a economia alemã está em um cenário difícil, em consequência das dificuldades dos sócios na Zona do Euro, mas vê sinais positivos para o país, como o vigor de seu mercado de trabalho, a demanda interna e a facilidade de financiamento nos mercados. O banco adverte que as novas previsões são cercadas de "incertezas e riscos especialmente elevados", sobretudo no caso de agravamento da crise na Zona do Euro.
Previsão pessimista para a França
A economia da França deverá registrar contração de 0,1% no segundo trimestre do ano, projetou o Banco da França (o banco central do país) em relatório mensal divulgado ontem. Nos primeiros três meses do ano, a atividade havia registrado estagnação. A previsão pessimista ocorre num momento em que o resultado da balança comercial da França subiu para 5,8 bilhões de euros, ante 5,6 bilhões de euros em março segundo dados revisados, em linha com as expectativas de economistas. O deficit orçamentário do governo para os quatro primeiros meses do ano, por sua vez, caiu para 59,9 bilhões de euros ante 61,4 bilhões um ano antes. Os gastos públicos subiram 4,2% enquanto as receitas avançaram apenas 2,7%. Os dados reforçam as dificuldades do presidente francês François Hollande para retomar o crescimento do país e controlar o deficit, em meio a um aprofundamento da crise da Zona do Euro.